antigos de testes nucleares
são algum indicativo, um teste seguro
é possível, mas mesmo sob condições
ideais não há garantias.
Vamos começar dando uma olhada rápida
no que acontece para que uma explosão
nuclear seja produzida. Ela ocorre quando
um átomo radioativo - geralmente urânio-235
ou plutônio-239 - entra em contato com
nêutrons que estão se movimentando
livremente. O que torna esses átomos
diferentes da maioria dos outros é
que eles são físseis e capazes
de manter uma reação em cadeia.
Essas duas características dependem
da absorção de um desses nêutrons
livres pelo átomo. Com a adição
desse nêutron, o átomo se divide
em várias partes, inclusive em diversos
nêutrons. Com a quantidade de nêutrons
livres aumentando, cada vez mais átomos
começam a se fissionar. Sob circunstâncias
ideais, ou "massa crítica,"
a divisão de átomos pode dobrar
o número de nêutrons em um ambiente
contido mais de 80 vezes em um microssegundo,
fazendo que o aparelho aumente com uma força
tremenda. O resultado é não
só uma grande explosão como
também a liberação de
quantidades enormes de partículas radioativas
que podem se espalhar por centenas de quilômetros,
dependendo do tamanho do aparelho.
Então voltamos à questão:
sob que circunstâncias é possível
detonar esse tipo de aparelho sem causar danos
à área ao redor? Para encontrar
a resposta, vamos observar os métodos
usados no passado e descobrir que tipo de
dano, caso tenha ocorrido algum, esses testes
de armas nucleares produziram. Existem quatro
métodos principais para testar armas
nucleares: alta altitude, subterrâneo,
subaquático e atmosférico. Os
testes atmosféricos liberam toda a
precipitação radioativa de uma
bomba nuclear explodindo em pleno ar ou na
superfície do solo. Nesses testes,
o aparelho nuclear pode estar fixado em cima
de uma torre, ser jogado de um avião
ou levado até a atmosfera por um balão.
Grandes quantidades de precipitações
radioativas resultaram desses testes e as
medidas de segurança adequadas para
evitar danos ao humanos, animais, plantações,
prédios, ecossistemas e todas as coisas
em um raio de centenas de quilômetros
envolvem pura e simplesmente a evacuação
da área. Esses testes geralmente são
realizados em áreas abandonadas, como
no do deserto de Nevada, onde os danos da
precipitação radioativa podem
ser reduzidos, porque existe uma quantidade
muito pequena de seres vivos na área.
Ainda assim, o teste nuclear mais desastroso
da história dos EUA foi um atmosférico
em que os engenheiros haviam tomado todas
as precauções necessárias.
Infelizmente, o que aconteceu é que
eles tomaram todas as precauções
necessárias para uma bomba com uma
potência muito menor. O teste Castle
Bravo, em 1954, realizado em uma ilha feita
pelo homem no Pacífico, excedeu muito
as expectativas. A explosão teve duas
vezes o tamanho esperado e a precipitação
radioativa foi muito maior do que se previra.
Quando os padrões climáticos
mudaram, o vento levou essa quantidade de
partículas radioativas para áreas
que não haviam sido evacuadas antes
do teste. Os moradores da ilha, que não
deveriam estar sujeitos a qualquer dano, acabaram
com queimaduras radioativas, altos índices
de câncer e defeitos congênitos
na geração futura que muitos
especialistas atribuíram ao teste Castle
Bravo. Em termos gerais, o alto número
de testes atmosféricos realizados pela
França nas décadas de 60 e 70
parece ter resultado em um índice três
vezes maior de câncer de tireóide
e quatro vezes maior de leucemia mielóide
aguda na Polinésia Francesa do que
em outras populações parecidas
que não estavam nas proximidaddes de
testes nucleares extensivos.
Os testes debaixo da água apresentam
muitos dos riscos dos testes atmosféricos,
já que a explosão ultrapassa
bastante o nível da água. A
quantidade de precipitação radioativa
na atmosfera, porém, é menor
porque uma boa parte dela fica contida na
água. E isso causa seus próprios
problemas, é claro. Embora os efeitos
na vida marinha causados pelos testes debaixo
da água não tenham, por incrível
que pareça, sido registrados na maioria
dos livros, grupos ambientalistas documentam
a destruição completa de recifes
de corais, além da morte e da contaminação
de outras vidas marinhas como resultado desses
testes. Por extensão, vilas pesqueiras
e suas populações que vivem
de frutos do mar podem ser bastante afetadas
por testes nucleares debaixo da água
realizados a centenas de quilômetros
da costa. O método mais seguro para
realizar um teste nuclear é sem dúvida
o subterrâneo, mas "seguro"
é um termo relativo. O teste subterrâneo
oferece a possibilidade de contenção,
mas conter uma explosão nuclear não
é uma tarefa simples. A menor bomba
nuclear possível atravessaria 20 metros
de terra como se fosse papel de seda.
Uma bomba de um quiloton precisa estar pelo
menos 90 metros abaixo do solo para que sua
explosão seja completamente contida.
Como comparação, o incidente
de Castle Bravo envolvia uma bomba de 15 megatons.
E essas profundidades são apenas estimativas,
já que é impossível saber
exatamente como uma nova tecnologia nuclear
irá reagir até que seja testada.
Até mesmo sob as condições
mais rigorosamente controladas os testes nucleares
subterrâneos podem chegar até
a atmosfera, o que é o pior caso possível
porque uma explosão nuclear subterrânea
irradia toneladas de solo, que em seguida
caem sobre tudo o que se encontra na área
ao redor. O contato com o solo pode ser o
aspecto mais prejudicial de uma explosão
nuclear; então, se uma detonação
nuclear subterrânea chegar até
a superfície, você estará
observando uma grande quantidade de precipitação
radioativa. O último método
de teste nuclear se enquadra na categoria
de "Você está brincando?"
ou "No que será que eles estavam
pensando?": detonar uma bomba nuclear
no espaço. Os Estados Unidos e a Rússia
realizaram esses testes de alta altitude durante
a Guerra Fria, enviando os aparelhos por meio
de foguetes, com o intuito de testar a eficácia
das armas para desativar satélites
de inimigos.
Embora a precipitação radioativa
na Terra não tenha sido um problema
(a radiação é desviada
pela atmosfera da Terra), eles pararam de
realizar esses testes quando várias
coisas ficaram evidentes: As explosões
nucleares não conseguem diferenciar
se um satélite é de um inimigo
ou não; o desvio da radiação
na atmosfera da Terra resultou em um poderoso
pulso eletromagnético, que apagou sistemas
elétricos em grandes cidades; as explosões
deixavam faixas de radiação
no espaço que apresentavam riscos a
futuros vôos espaciais tripulados. Além
dos efeitos de longo alcance do teste nuclear,
também existem grandes perigos para
as pessoas envolvidas na realização
desse teste. Mais de 4 mil trabalhadores de
uma antiga área de testes francesa
abriram processos contra o governo sob a alegação
de que a exposição à
radiação comprometeu a saúde
deles. Muitos desses trabalhadores foram diagnosticados
com casos sérios de câncer. A
França realizou testes nucleares até
1996, um bom tempo depois da maioria dos outros
países ter parado.
Fonte: UOL