pelas vacas são agora causa de preocupação
e assunto para muitas pesquisas científicas
As vacas emitem uma grande quantidade de metano
através do arroto, e uma menor quantidade
através da flatulência, ou seja,
do seu pum. As estatísticas variam
sobre quanto metano a vaca leiteira média
expele. Alguns especialistas dizem que de
100 a 200 litros por dia, enquanto outros
dizem que pode chegar a 500 litros por dia.
De qualquer forma, é muito metano,
uma quantidade comparável à
poluição produzida por um carro
em um único dia. Para entender por
que as vacas produzem metano, é importante
conhecer um pouco mais sobre como funcionam.
Vacas, cabras, ovelhas e muitos outros animais
pertencem a uma classe de animais chamada
de ruminantes. Os ruminantes têm quatro
estômagos e digerem seu alimento em
seus estômagos ao invés de seus
intestinos, como fazem os humanos. Os ruminantes
comem o alimento, regurgitam-no como bolo
alimentar e tornam a comê-lo. Os estômagos
são cheios de bactérias (em
inglês) que facilitam a digestão,
mas também produzem metano.
Com milhões de ruminantes na Inglaterra,
incluindo 10 milhões de vacas, uma
grande iniciativa está sendo promovida
para frear as emissões de metano por
lá. As vacas contribuem com 3% de todas
as emissões de gás estufa na
Inglaterra e 25 a 30% de seu metano. Na Nova
Zelância, onde a criação
de gado e ovelhas tem importância vital,
34% dos gases estufa vêm dos animais
criados na fazenda. Um estudo de três
anos, que começou em abril de 2007
por cientistas galeses, está examinando
se adicionar alho (em inglês) ao alimento
da vaca pode reduzir sua produção
de metano. O estudo está em andamento,
mas os primeiros resultados indicam que o
alho corta a flatulência da vaca pela
metade, atacando os micróbios que produzem
o metano e que vivem nos estômagos das
vacas [Fonte: BBC News (site em inglês)].
Os pesquisadores também estão
tentando verificar se a adição
de alho afeta a qualidade da carne ou do leite
produzidos e até mesmo se os animais
ficam com mau hálito.
Um outro estudo da Universidade de Gales,
Aberystwyth, está rastreando quantidades
de metano e nitrogênio produzidos pelas
ovelhas, que fornecem um bom modelo de comparação
com as vacas porque possuem sistemas digestivos
semelhantes. As ovelhas desse estudo estão
vivendo em túneis de plástico
onde a sua produção de metano
é monitorada através de uma
variedade de dietas. Muitos outros esforços
estão a caminho para reduzir a produção
de metano do ruminante, tais como tentar criar
vacas que vivam mais tempo e que tenham melhores
sistemas digestivos. Na Universidade de Hohenheim,
na Alemanha, cientistas criaram uma pílula
para segurar os gases na pança da vaca
- a primeira cavidade do estômago dos
ruminantes - e converter o metano em glicose.
No entanto, a pílula exige uma dieta
rigorosa e horários estruturados de
alimentação, coisas que podem
não combinar muito bem com a pastagem.
Em 2003, o governo da Nova Zelândia
propôs uma taxa sobre a flatulência,
que não foi adotada devido a um protesto
generalizado.Outros esforços visualizam
os campos de pastagem sendo usados pelos produtores
de gado, os quais serão discutidos
na próxima seção.Então,
sabemos que os ruminantes estão produzindo
quantidades enormes de metano, mas por quê?
Os humanos produzem gases diariamente, mas
nada comparável ao que esses animais
produzem. Na próxima página,
aprenderemos mais sobre a fonte do problema
do metano e sobre a controvérsia que
existe por trás disso.
Por que as vacas e outros ruminantes produzem
metano?
Com o desenvolvimento da agricultura em larga
escala, em meados do século 20, a lavoura
tornou-se um grande negócio para muitas
empresas. As terras ficaram consolidadas em
grandes empreendimentos com muitos milhares
de animais espalhados em uma grande quantidade
de acres. Inicialmente, as áreas de
pasto foram preenchidas com uma variedade
de grama e flores que cresciam naturalmente,
oferecendo uma dieta diversificada para vacas
e outros ruminantes. No entanto, para aperfeiçoar
a eficiência da alimentação
do gado, muitas dessas pastagens foram replantadas
com azevém perene (em inglês).
Com a ajuda de fertilizantes artificiais,
o azevém perene cresce rapidamente
e em enormes quantidades. Sua desvantagem
é que ele não oferece o teor
nutritivo de outras gramas e evita que outras
plantas nutritivas possam se desenvolver.
Um comentarista a apelidou de "fast food"
das gramas.
Essa simples dieta permite que muitas vacas
sejam alimentadas, mas isso inibe a digestão.
Uma dieta com azevém perene resulta
também em uma quantidade significativa
de vacas fracas e inférteis que têm
de ser abatidas precocemente. É aqui
que entra o metano. A grama difícil
de ser digerida fermenta nos estômagos
das vacas onde interage com micróbios
e produz gás. Os detalhes exatos do
processo ainda estão sendo estudados
e mais informações podem fazer
com que os cientistas consigam reduzir a produção
de metano das vacas. Um estudo da Universidade
de Bristol comparou três tipos de pastos
cultivados naturalmente com pastos de azevém
cultivado com fertilizantes químicos.
Carneiros foram alimentados com cada tipo
de pastagem. A carne dos carneiros alimentados
com pasto natural tinha menos gordura saturada
(em inglês), mais ácidos graxos
omega-3 (em inglês), mais vitamina E
(em inglês) e níveis mais altos
de ácido linoleico conjugado (CLA),
uma "gordura benigna" que acredita-se
que combata o câncer. A carne desses
carneiros foi considerada de qualidade bastante
alta e com boa pontuação nos
testes de degustação.
Devido à preocupação
com as dietas dos ruminantes, muitos pesquisadores
estão investigando modos de alterar
o que esses animais comem e misturar o melhor
dos velhos pastos de gado - gramas e plantas
diversificadas, de crescimento natural e ricas
em nutrientes - com o melhor das novas - espécies
de crescimento rápido e resistentes
a pragas hostis. Uma possibilidade é
aumentar a capacidade de plantas e flores
benéficas, ricas em nutrientes, de
crescerem juntamente com gramas de crescimento
rápido geralmente usadas nos pastos.
Uma outra linha de pesquisa se concentra em
plantas que possuam um alto teor de tanino,
o qual acredita-se que possa diminuir os níveis
de metano em ruminantes e elevar a produção
de leite, embora níveis excessivos
de taninos possam ser danosos para o crescimento
do ruminante. Um estudo realizado por pesquisadores
da Nova Zelândia recomenda o uso de
plantas como o cornichão, que têm
alto teor de ácido alfa linoleico,
o que eleva os níveis de CLA. Plantar
legumes e plantas geneticamente preparadas
para captar o nitrogênio do ar também
intensificará os níveis de nitrogênio
do solo, o que é importante para um
solo mais rico e plantas mais saudáveis.
Alguns produtores de laticínios usam
sistemas de processamento para colher metano
do estrume da vaca. A energia é usada
para movimentar a fazenda enquanto que o excesso
é freqüentemente vendido para
a rede elétrica local. Os que acreditam
em pastos com espécies misturadas e
de crescimento natural, dizem que sua utilização
reduzirá os gases estufa, aperfeiçoará
a saúde do animal e a qualidade da
carne, e reduzirá o uso de fertilizantes
artificiais. Tentativas como pílulas
para reduzir o metano ou a adição
de alho podem ser apenas medidas temporárias
que não conseguem resolver alguns dos
principais problemas do gado, especialmente
a poluição do ar e do solo,
desmatamento das florestas, a produção
de animais frágeis que deverão
ser separados mais tarde e o uso de esteróides
e fertilizantes artificiais. Uma outra possibilidade
é capturar o gás metano e usá-lo
como energia ou vendê-lo para a rede
elétrica. Alguns produtores também
extraem metano de resíduos do gado,
mas isso não resolve o maior problema
do metano que é expelido. Utilizar
esse metano significaria capturá-lo
no ar, talvez confinando o gado em ambiente
fechado ou provendo os animais com focinheiras
especiais para que possam inibir a alimentação.
Fonte: UOL