crianças do mundo para proteger o
planeta”, disse o presidente do comitê
organizador do terceiro fórum na sessão
de abertura, Samuel Koo, criada em 2000 pela
Fundação Arigatou com o propósito
de construir um mundo melhor para meninos
e meninas, a Rede exorta todos os líderes
religiosos, governos e organizações
não-governamentais a renovarem seu
compromisso com esse objetivo.
“Esperamos que todos se comprometam
com a busca da paz e façamos o que
nos for possível pelas crianças”,
disse o reverendo Takeyasu Miyamoto, presidente
da Fundação Arigatou, uma organização
não-governamental com status consultivo
junto ao Conselho Econômico e Social
(Ecosoc) da Organização das
Nações Unidas. “A paixão
de nossos corações é
o motor para alcançarmos nossos objetivos
hoje. Estamos aqui porque fizemos algo e faremos
mais”, acrescentou. O local escolhido
para realizar o terceiro fórum não
poderia ser melhor. A conferência acontece
em Hiroxima, “para que todos tenhamos
a oportunidade de refletirmos sobre os verdadeiros
valores da vida”, explicou Miyamoto.
No dia 6 de agosto de 1945 esta cidade japonesa
foi destruída pela primeira bomba atômica
da historia, lançada pelos Estados
Unidos, que matou mais de 140 mil pessoas
e é apontada como o golpe de graça
da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Mais
de 60 anos depois, Hiroxima se converteu em
um símbolo de paz e muitos visitantes
passam pela “zona zero”, onde
fica o Memorial da Paz. Nos últimos
anos esta cidade vem sendo reconhecida por
implementar um plano de desenvolvimento para
a infância que objetiva promover e brindar
um sistema completo de atenção
destinado aos menores.
“As crianças de hoje estão
ameaçadas por terrorismo, fome, pobreza,
bem como por atividades criminosas através
da Internet”, disse o prefeito de Hixorima,
Tadatoshi Akiba. “Para resolver esses
problemas, devemos trabalhar juntos. Pedimos
ao mundo que proíba as armas nucleares
para dar às crianças um mundo
melhor”, pediu. Todos os participantes
do fórum compartilham a idéia
de devolver direitos fundamentais e dignidade
às meninas e aos meninos mediante novos
enfoques e novas formas de promover uma melhor
compreensão entre gerações,
crenças religiosas e culturas.
“Temos que derrubar os muros da intolerância,
fome, guerra e do analfabetismo que ameaçam
a infância. Devemos nos unir às
crianças na busca de novas formas e
novos caminhos para construir uma nova humanidade”,
pediu o prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez
Esquivel, também presidente do Serviço
de Paz e Justiça da Argentina. A GNRC
se orgulha de proporcionar um espaço
para que meninos e meninas se expressem. Ao
defender o diálogo entre nações,
também visa a uma interação
aberta com os menores. Os encontros de dois
dias e os anteriores ao início do fórum
concluíram com os menores compartilhando
o aprendido com suas contrapartes adultas
nas cerimônias de abertura.
Para a pediatra Vinu Aram, o trabalho a favor
da paz deve transcender as gerações.
“Devemos começar ouvindo as crianças
porque podem ser líderes maravilhosos
na reconstrução de nossa comunidade.
Nosso trabalho pela paz deve ir além
das gerações. É importante
criar espaços de confiança,
especialmente em nível de base”,
afirmou. Além disso, o ex-vice-presidente
iraniano e presidente do Instituto para um
Diálogo Inter-religioso, Seyed Mohammad
ali Abtahi, pediu urgência aos líderes
políticos e religiosos para “aprenderem
paciência com as crianças”.
“As crianças têm uma fabulosa
proximidade com o divino. Seu conceito de
Deus é mais real, mais íntimo.
Compartilham uma semelhança com os
filósofos porque prestam atenção
a tudo e sabem ser respeitosos. Se consideram
integrantes de uma comunidade ampla sem perder
sua própria identidade”, afirmou.
O cardeal Jean Louis Tauran, do Conselho
Pontifício para o Diálogo Inter-religioso
do Vaticano, enviou uma mensagem, lida pelo
padre Pietro Sonoda, na qual recordou aos
participantes que também se deve apoiar
os país, pois precisam de toda a ajuda
que possam conseguir para alimentar e educar
seus filhos. “É no âmbito
familiar que as crianças primeiro se
alimentam de amor e cuidado, e depois aprendem
a demonstrá-los aos demais”,
afirmou.
O principal destaque do terceiro fórum,
que acontece a cada quatro anos desde 2000,
foi o lançamento de “Aprendendo
a viver juntos: Um programa intercutlural
e interconfessional de educação
ética”, um manual para professores
e líderes de jovens para promover a
paz e a compreensão entre crianças
de diferentes religiões e culturas.
O manual não pretende ensinar religião
nem historia da cultura, explicou a diretora
da Fundação Arigatou em Genebra,
Agneta Ucko. Trata-se de um conjunto de ferramentas
para estender pontes entre os jovens. “O
desafio que temos agora é como implementar
o manual no mundo e utilizá-lo em vários
ambientes, como escolas e grupos de jovens,
para citar alguns”, acrescentou.
A porta-voz para assuntos de violência
contra a infância do Fundo das Nações
Unidas para a Infância (Unicef), Sarah
Jones, disse que “a maioria de nossas
religiões falam em um ponto ou outro”,
e questionou a falta de ação
dos governos. “Devemos lembrar aos governos
que pobreza, degradação ambiental
e violência não se vinculam apenas
com direitos humanos, mas também com
assuntos de segurança internacional.
Sua urgência é real”, ressaltou.
Como muitos participantes, Jones se mostrou
otimista a respeito de estas questões
terem solução e de se poder
evitar “as violações dos
direitos humanos das crianças”.
Os direitos humanos devem ser a base de toda
instituição baseada na fé,
concluiu. (IPS/Envolverde)
Fonte:Envolverde