O grafeno é considerado o mais
forte de todos os materiais já
medido pelo homem. Por características
insólitas (reduzida espessura,
por exemplo) e propriedades notáveis
(condução de eletricidade),
ele tem sido cotado, entre outras coisas,
como possível sucessor do silício
na fabricação de chips de
computador ou como o material de base
para a nova geração de dispositivos
eletrônicos.
Por formar folhas resistentes e capazes
de serem dobradas sem danos – por
conta do arranjo de átomos de carbono
em uma estrutura que lembra o de uma colméia
–, uma das principais aplicações
potenciais do grafeno está na fabricação
de aparelhos eletrônicos flexíveis.
Mas os dispositivos eletrônicos
à base de grafeno desenvolvidos
até o momento foram feitos de peças
minúsculas (na escala dos micrômetros)
e a partir de um método pouco eficiente
que envolve “descascar” camadas
de um substrato de grafite.
Em artigo publicado nesta quinta-feira
(15/1) na edição on-line
da revista Nature , um grupo de cientistas
da Coreia do Sul descreve um método
alternativo e mais versátil para
produzir filmes de grafeno com excelentes
propriedades eletrônicas.
Os filmes são flexíveis
e podem ser construídos em tamanhos
relativamente grandes, de vários
centímetros de área. No
estudo, Byung Lee Hong, da Universidade
Sungkyunkwan, e colegas aperfeiçoaram
um processo conhecido como deposição
de vapor químico, no qual uma mistura
gasosa de hidrocarbonetos circula sobre
folhas de níquel aquecidas e se
quebra em átomos de carbono.
Os átomos, por sua vez, rearranjam-se
na forma de grafeno. Ao esfriar rapidamente
o substrato, são formados filmes
com apenas algumas camadas de espessura.
Esses filmes ultrafinos são transparentes
e contam com alta condutividade elétrica,
semelhantes aos obtidos pelo processo
mecânico de obtenção
de grafeno, até então o
único existente.
A principal promessa da novidade está
no desenvolvimento de eletrodos flexíveis,
transparentes e que ocupam grandes áreas.
Um exemplo, segundo os pesquisadores,
está em telas eletrônicas,
para uso em publicações
como revistas ou jornais, em substituição
ao papel.