artificiais para conter aquecimento
É o que mostra uma pesquisa recente
com cientistas realizada pelo jornal britânico
"The Independent", em que a
maioria defendeu o investimento em projetos
de geoengenharia, que consiste em planos
artificiais para forçar a absorção
de gás carbônico pela natureza.
Esse tipo de medida, que envolve tecnologias
altamente controversas -- como fertilizar
os oceanos com partículas de ferro
para aumentar a quantidade de algas ou
mesmo espalhar sulfato no ar para refletir
de volta a luz do sol-- já é
considerada necessária para boa
parte dos cientistas para diminuir as
temperaturas do planeta. Na consulta realizada
pelo "Independent" com 80 renomados
especialistas em aquecimento global, 54%
disseram que a situação
está tão ruim que é
necessário um plano envolvendo
manipulação do clima global
para combater os efeitos nocivos das emissões
de gás.
Outros 35% dos cientistas discordaram,
argumentando que estratégias artificiais
poderiam ofuscar o objetivo principal
de cortar as emissões de CO2. Os
11% restantes dos pesquisadores disseram
que não sabem se uma estratégia
de geoengenharia é ou não
necessária. É quase consenso
entre todos os pesquisadores, no entanto,
que é necessária uma ação
emergencial para tratar o problema, já
que acordos assinados na última
década, como o Protocolo de Kyoto,
não tiveram o efeito esperado.
Além das emissões de CO2
terem crescido em média 1% ao ano
no mundo nos último anos, a absorção
natural do gás pelas florestas
e oceanos diminuiu drasticamente.
Entre os cientistas entrevistados que
defendem o uso de tecnologias para frear
o aquecimento global, quase todos dizem
que esse tipo de estratégia não
deve impedir esforços para que
as autoridades tracem políticas
para cortar as emissões de gás.
Para eles, remediar e prevenir não
devem ser opções excludentes.
Planos
As tecnologias e projetos para conter
o aquecimento sofrem oposição
há vários anos e envolvem
medidas arriscadas; algumas delas lembram
ficção científica.
Alguns cientistas, por exemplo, sugerem
que seria possível refletir a luz
solar com um espelho gigante ou um conjunto
deles colocados entre a Terra e o Sol.
O esquema levantou controvérsia
sobre como isso poderia ser controlado,
além dos efeitos secundários
desconhecidos poderia causar.
Outra ideia é injetar partículas
de sulfato artificial na estratosfera,
camada superior da atmosfera terrestre.
Quem sugeriu o plano foi o ganhador do
Nobel Paul Crutzen, após verificar
que erupções vulcânicas
liberam sulfato suficiente para refletir
o calor do sol e baixar as temperaturas
da Terra em 0,5 ºC em dois anos.
O risco, no entanto, é que a medida
pode provocar chuvas ácidas e efeitos
nocivos para a agricultura. O cientista
John Latham, do Centro Nacional de Pesquisas
Atmosféricas dos Estados Unidos,
em Boulder, no Colorado, trabalha em uma
pesquisa para atomizar água do
mar e com elas produzir gotículas
que formem pequenas nuvens marítimas
de baixa altitude para cobrir parte da
superfície oceânica. A única
matéria prima seria a própria
água do mar e o processo poderia
ser interrompido facilmente. A ideia,
no entanto, só impediria o aquecimento
em áreas oceânicas.
Adicionar sais de ferro nos mares foi
uma medida pensada para forçar
a absorção de CO2 pela natureza.
O plano iria multiplicar o crescimento
de algas marinhas, que absorvem o gás,
que precipitaria para águas profundas.
Mas caso animais se alimentem das algas,
o gás subiria de volta às
superfícies.
Fonte: Folha