reposição de exemplares.
"Cada escola determina o prazo para
a devolução, mas a gente sugere
que seja até o final do ano letivo.
Entretanto, até o início do
próximo ano, em fevereiro, os livros
também podem ser devolvidos",
explica a coordenadora do PNLD, Sônia
Schwartz.
Segundo ela, o FNDE mantém campanhas
permanentes com as escolas sobre a necessidade
de se cuidar bem dos livros. "A questão
é um pouco cultural também,
as coisas do governo parecem que não
têm dono. É preciso criar essa
cultura de que o livro não é
gratuito, mas pago com os impostos de todos
nós, inclusive dos pais dos alunos",
destaca.
Na Escola Classe 34 de Ceilândia,
cidade-satélite de Brasília,
a diretora Gizêlda de Andrade comemora
a entrega de 92% dos 2,4 mil livros da escola,
a uma semana do fim das aulas. Os livros
recolhidos estão em ótimo
estado e alguns sequer parecerem que foram
usados. O bom resultado, na opinião
de Gizêlda, deve-se ao projeto de
estímulo à leitura desenvolvido
pela escola.
"Isso começa cedo, desde a
pré-escola. Os alunos levam livros
infantis para casa para serem lidos pelos
pais e, como não sabem escrever,
desenham para contar o que entenderam daquela
história. A idéia é
sensibilizá-los sobre o manuseio
do livro. Quando eles chegam à 1ª
série já têm a noção
do cuidado", conta a diretora. A leitura
tem papel de destaque no projeto pedagógico
da escola, que este ano lançou dois
livros de poesias com textos dos alunos.
Os pais também assinam um termo
de compromisso no início do ano.
O documento não tem validade legal,
mas a intenção é estimular
a noção de responsabilidade
da família pelo material. "Os
alunos pedem um livro novinho no início
do ano, mas a gente diz que, para isso,
ele precisa cuidar do livro dele também",
diz Gizêlda.
Thomas Moraes e Daniel Neves, alunos da
4ª série, dizem que cuidam bem
dos livros porque receberam as obras em
bom estado e não acham justo devolvê-las
rasgadas ou rabiscadas. "Ano que vem
o meu irmão vai para a 4ª série,
já pensou se eu mesmo rasgo o livro
e passo para o meu irmão? Não
dá, por isso eu cuido como se fosse
meu", explica Daniel.
Tatiana Brito, professora da escola, acredita
que os projetos de incentivo ajudam a formar
leitores conscientes. "Eles aprendem
não só a gostar de ler, mas
a zelar pelos livros. Vão ser leitores
mais competentes. A gente quer formar uma
geração com consciência
do que é público", afirma.
Segundo a coordenadora do Programa Nacional
do Livro Didático, se o índice
de obras não devolvidas em cada escola
for maior do que 13%, podem faltar exemplares
para atender a todos os alunos. "O
FNDE repõe até esse índice,
por isso é preciso que as escolas
fiquem em cima", orienta Sônia.
Em 2009, o fundo vai distribuir 103 milhões
de livros didático para a rede pública
de ensino. As escolas que tiverem alguma
dúvida sobre o processo de devolução
podem entrar em contato com o FNDE pelo
telefone 0800 616161.
Fonte: UOL