passam ao setor de reciclagem informal
e que causam problemas sanitários
e ambientais”, disse Ramapati Kumar,
gerente da campanha do Greenpeace Internacional
a respeito da Índia. Este país
carece de leis que limitem o uso de substâncias
tóxicas derivadas da fabricação
de produtos eletrônicos ou que controlem
sua eliminação.
Como a contaminação ocorre
principalmente na fase de eliminação
e reciclagem dos resíduos desta natureza,
é necessária a aprovação
de leis que incluam toda esta área
de atividade, disse Kumar. Os aparelhos
elétricos e eletrônicos contêm
metais altamente tóxicos como chumbo,
cádmio, dioxinas, cloro, bromo, PVC
e outros, que ao serem incinerados liberam
gases tóxicos. O comércio
de lixo eletrônico é controlado
pelo Convenio da Basiléia sobre o
Controle dos Movimentos Transfronteiriços,
de Dejetos Perigosos e sua Eliminação,
em vigor desde 1992, que não inclui
o reparo e o recondicionamento de produtos
eletrônicos usados.
Toda uma “indústria artesanal”
cresceu com base na retirada de substancias
químicas reutilizáveis de
produtos eletrônicos descartados.
O processo acontece em rudimentares fundições
que emitem gases tóxicos e contaminam
o solo e a água. Numerosos operários
trabalham nesses locais “em condições
primitivas, usando banhos ácidos,
cocção e queima a céu
aberto para recuperar apenas entre 30% e
35% dos metais. A melhor solução
é ter uma responsabilidade marcante”,
disse Abhishek Pratap, do Greenpeace.
A campanha desta organização
ambientalista se centrava na indústria,
que deveria manufaturar produtos limpos
e implementar uma política de devolução
de produtos usados por parte dos consumidores
para enviá-los a recicladores autorizados.
A firma de telecomunicações
finlandesa Nokia, principal fabricante de
telefone celular do mundo, está em
primeiro lugar na lista trimestral de indústrias
eletrônicas “verdes” e
“livres de PVC” do Greenpeace.
“Antes esta empresa tinha duplo discurso
em sua política de devoluções.
O sistema não funcionava na Índia,
mas ia bem em outros países. A partir
de nossa campanha, a Nokia tem aqui, agora,
o maior centro de coleta para seus produtos
descartados para reciclagem”, disse
Kumar. Os gigantes indianos da tecnologia
da informação Infosys e Wiporo
também são conscientes, enquanto
a multinacional holandesa Philips está
impondo “forte resistência”
para assumir suas responsabilidades, disse
o Greenpeace.
Como a maior parte dos produtos eletrônicos
fabricados na Índia, especialmente
computadores, é destinada à
exportação, a indústria
costuma responder com rapidez aos chamados
por uma produção livre de
tóxicos e pela reutilização,
ambientalmente sã, de seus produtos.
Setenta e cinco por cento das grandes companhias
indianas de tecnologias da informação
cumprem a diretriz da União Européia
conhecida pela sigla em inglês ROHS
(Restriction of Hazardous Substances”
– restrição de substâncias
perigosas), especialmente para a indústria
eletrônica.
A multinacional coreana Sansung tem 31
centros de coleta em toda Índia,
enquanto há pouco a multinacional
de informática Apple livrou seus
produtos do vinil, dessa forma eliminando
a emissão de dioxinas no processo
de incineração. Mas as grandes
empresas representam apenas 30% ou menos
do lixo eletrônico da Índia.
“Menos de 5% do lixo gerado chegam
ao setor de reciclagem organizado”,
disse P. Parthasarathy, diretor da E-Parisara,
primeira empresa indiana de reciclagem eletrônica,
com sede em Bangalore. Atualmente operam
apenas entre oito e 10 companhias de reciclagem
de lixo eletrônico autorizadas na
Índia.
Outro problema é a eliminação
de 50 mil toneladas de lixo eletrônico
obsoleto ao ano, segundo Parthasarathy,
o número é “muito, muito
maior” se for somado o que jogam neste
país firmas ocidentais para seu recondicionamento
e reutilização na Índia.
“O problema é sua eliminação,
pois as nações exportadoras
não especificam estas mercadorias
como lixo”, afirmou. Em 2007, um informe
da Agência Britânica de Meio
Ambiente determinou que várias empresas
exportavam lixo eletrônico da Grã-Bretanha
para Índia, Paquistão e China.
A organização Toxics Link,
com sede em Nova Déli, já
alertava em 2003 que a cidade comercial
de Mumbai (ex-Bombaim) gera 19 mil toneladas
anuais de lixo eletrônico, boa parte
disto através de importações
clandestinas desde o mundo industrial. Nova
Déli é apontada como a maior
recicladora de lixo eletrônico do
país, e também se destaca
nesta atividade Kolkata, a metrópole
oriental antes conhecida como Calcutá.
Mas, tanto o Greenpeace quanto Parthasarathy
se manifestaram ansiosos para que se continue
apelando ao setor informal enquanto se busca
maneiras de reciclar de maneira segura.
“Queremos que o setor informal mantenha
seus meios de sustento. Queremos envolvê-lo
na coleta e no transporte desses dejetos
em um programa de benefícios mútuos”,
disse Kumar. O modelo ISO 14.001 de Parthasarathy
– desenvolvido na Índia com
ajuda das instituições de
assistência ao desenvolvimento GTZ,
da Alemanha, e EMPA, da Suíça
– usa um método simples pelo
qual se desmonta manualmente produtos como
computadores, impressoras e cartuchos, entre
outros, além de separá-los
e pulverizá-los, tudo sem prejudicar
o meio ambiente. Os mais de 50 clientes
da E-Parisara são empresas importantes,
entre elas IBM, Lucent-Alcatel, Hewlett
Packard, Intel, Infosys e Motorola.
Todos os envolvidos nesta atividade –
organizações não-governamentais,
ativistas, recicladores de produtos eletrônicos
e agências – agora se preparam
para apresentar ao governo indiano um pedido
de lei exaustiva sobre geração,
manufatura, importação e exportação
de lixo eletrônico. “As pautas
emitidas pelo conselho central de controle
da contaminação no começo
deste ano sobre manejo do lixo eletrônico
não são obrigatórias.
Queremos uma lei à parte”,
disse Parathasarathy.
Fonte:Envolverde/IPS