Prediction System, na sigla em inglês),
criado pela Universidade de Oklahoma, nos
Estados Unidos, e que, por ter código
livre, atualmente é utilizado pelo
Grupo de Hidrometeorologia do IAG para a
região metropolitana de São
Paulo.
“A superfície das cidades
no ARPS é representada como se fosse
uma camada de areia, que pode ser umedecida
por causa da precipitação,
sem qualquer tipo de construção
ou ruas asfaltadas. O nosso modelo, desenvolvido
em colaboração com pesquisadores
franceses, permite a substituição
dessa superfície de areia por elementos
computacionais que lembram uma metrópole,
fazendo com que as ilhas de calor urbanas
sejam simuladas e representadas com maior
precisão”, disse Karam à
Agência FAPESP.
“Essas adaptações ao
modelo ARPS permitirão uma melhor
previsão de tempestades em até
24 horas, primeiro na cidade de São
Paulo e posteriormente no Rio de Janeiro”,
explicou o também professor do Instituto
de Geociências da Universidade Federal
do Rio de Janeiro (UFRJ). O t-TEB, que faz
o diagnóstico dos fluxos de calor
e energia trocados entre a atmosfera e as
superfícies urbanas, terá
outras importantes aplicações.
“Temos necessidade de fazer boas previsões
da precipitação nas áreas
urbanas para o manejo dos reservatórios
de água potável que normalmente
estão em volta das cidades, além
da melhor caracterização do
conforto ambiental das cidades com a simulação
da distribuição de ondas de
calor ao longo da malha urbana”, disse
Karam.
Um artigo sobre o modelo computacional
foi submetido à revista Theoretical
and Applied Climatology. “Só
estamos esperando essa publicação
para que o código-fonte do t-TEB
possa ser divulgado para livre acesso dos
pesquisadores interessados”, disse
o pesquisador.
Cânions urbanos
Segundo Karam, entre as possibilidades
de pesquisa com o t-TEB estão estudos
da estrutura dos grandes turbilhões
da camada-limite atmosférica sobre
áreas urbanizadas tropicais e a investigação
do papel da camada-limite urbana na dispersão
de poluentes atmosféricos e no desenvolvimento
de tempestades.
“O tipo de modelagem proporcionado
pelo t-TEB representa para as áreas
urbanas o que os modelos de vegetação,
desenvolvidos nos Estados Unidos no fim
da década de 1970, representaram
para superfícies vegetadas. Esses
últimos levam em conta características
como temperatura das folhas e o bombeamento
de umidade do solo pelas raízes das
árvores. Nosso modelo, no entanto,
é particularmente dedicado para a
simulação das condições
encontradas somente em cidades tropicais”,
destacou.
O t-TEB calcula os componentes do balanço
de radiação e energia de superfícies
urbanas por meio de um conjunto de “cânions
urbanos”. “Os cânions
urbanos são definidos pelo volume
de ar entre as superfícies da rua,
as paredes verticais dos prédios
e o espaço aéreo que se abre
do topo dos edifícios para a esfera
celeste. O modelo é forçado
pelas condições meteorológicas
medidas em estações com sensores
instaladas sobre o telhado de um prédio
da área de interesse”, explicou.
Os cânions apresentam condições
microclimáticas particulares, que
são associadas a fatores como geometria,
largura da via, altura das paredes, presença
de vegetação, sombras, ventilação,
emissão antrópica de calor,
umidade e poluentes atmosféricos.
“A geometria dos cânions urbanos,
definida pela razão entre a altura
dos edifícios e a largura da rua,
permite que a capacidade e difusividade
térmica dos materiais superficiais
sejam empregadas na determinação
das temperaturas das superfícies
urbanas”, disse Karam.
O modelo permite ainda a determinação
das condições de incidência,
emissão, reflexão múltipla
e absorção de radiação
solar e infravermelha dos cânions
urbanos. O t-TEB foi desenvolvido em parte
no IAG-USP e em parte em estágio
de Karam no Centro Nacional de Pesquisas
Meteorológicas, na França,
durante pós-doutorado com bolsa da
FAPESP.
Fonte:Envolverde/Agência
Fapesp