estrangeiros são diferentes: os
próprios chineses começaram
a adotar, à medida que o nível
de vida, impulsionado pelo crescimento,
aumentou. Os números são testemunha
disso. Em 2004, conforme informou na terça-feira
(19/08), o responsável por assuntos
sociais do ministério de assuntos
civis, Wang Suying, 53.500 crianças
chinesas foram adotadas, e 12.500 dentre
elas tinham sido adotadas por famílias
estrangeiras.
Em 2007, esses números caíram
para 46 mil e 10 mil.
Há outro fator que sem dúvida
contribuiu para essa diminuição:
em maio de 2007, as autoridades chinesas
divulgaram regras mais exigentes para os
candidatos estrangeiros à adoção.
Citado pela imprensa chinesa, Wang disse
que, em termos de adoção,
a mentalidade evoluiu na China. Durante
muito tempo, os casais chineses adotaram
crianças para assegurar que haveria
alguém para cuidar deles quando chegassem
à velhice, e, nesse caso, os meninos
eram preferidos em relação
às meninas.
Mas hoje, disse, cada vez mais os chineses
se candidatam à adoção
simplesmente pelo amor às crianças.
E os meios crescentes de uma classe média
que não pára de aumentar tornam
as coisas mais fáceis materialmente.
Em virtude da lei chinesa sobre a adoção,
os casais que desejam adotar uma criança
devem ter uma boa saúde, pelo menos
30 anos de idade, não ter outros
filhos e ter uma renda confortável
e estável. Como os chineses - que
ainda estão submetidos à política
do filho único - estão cada
vez mais dispostos a adotar, o tempo de
espera dobrou e hoje é superior a
dois anos.
Apesar disso, no seio da sociedade chinesa,
a adoção ainda é um
assunto sobre o qual pouco se fala. Os pais
que adotaram uma criança são
muito discretos sobre sua experiência
e as próprias crianças são,
na maioria das vezes, mantidas na ignorância
no que diz respeito a sua origem. Por outro
lado, um fato suscitou uma formidável
atenção pública em
relação à adoção:
o terremoto em Sichuan, em 12 de maio. As
linhas telefônicas dos serviços
de adoção em toda a China
ficaram congestionadas por pais que queriam
adotar os órfãos de Sichuan,
que foram estimados em mais de 4 mil, duas
semanas depois do abalo. Inúmeros
chineses que vivem no exterior também
se manifestaram. Foi até mesmo antecipado
que as regras de adoção poderiam
ser atenuadas, permitindo a adoção
por famílias que já tinham
um filho.
Os números, entretanto, diminuíram
bastante. Em 29 de maio, as autoridades
descontaram 1.879 crianças que não
haviam tido contato com seus pais depois
do terremoto. Na terça-feira, Wang,
responsável pelos assuntos sociais,
declarou que "menos de cem" órfãos
de Sichuan foram de fato adotados. Mas esse
número, advertiu, pode aumentar:
a contagem oficial dos desaparecidos no
terremoto está em 18.176 (quase 70
mil pessoas morreram); entre eles estavam
muitos pais cujos filhos sobreviveram. Se
os corpos desses pais forem encontrados,
as crianças serão oficialmente
declaradas órfãs. Por enquanto,
a prioridade para a adoção
é dada aos pais que perderam seus
filhos na catástrofe.
Fonte: Le Monde