a dessa migração deve ser a maior de toda a história.
“Espera-se que a população
urbana mundial passe dos atuais 3,3 bilhões
para 5 bilhões em 2030”, alertou,
ressaltando que o fenômeno será
sentido especialmente nos países mais
pobres.
O Brasil já tem alto grau de urbanização,
com 80% da população em cidades,
mas Martine aponta que o país ainda
tem muito a aprender sobre crescimento e planejamento
urbano. Para ele, ainda é preciso derrubar
alguns mitos, como o da separação
entre “rural e urbano” e o de
que a urbanização degrada o
meio ambiente.
Revisão de conceitos
“Nenhum indicador mostra que o crescimento
das cidades denigre o meio ambiente”,
concordou Marília Steinberger, do Departamento
de Geografia da Universidade de Brasília.
Para ela, trata-se de uma herança do
pensamento “anti-cidade”, que
vem da década de 1970 e associa as
cidades aos grandes males da sociedade.
Os próprios conceitos de cidade e
campo precisam ser revistos, segundo ela.
“Os conceitos registrados no Tratado
das Questões Urbanas, assinado na Eco
92, foram um alerta para dizer que as questões
urbanas, rurais e ambientais devem ser tratadas
como uma coisa só”, pontuou.
Mas não é isso que os dois especialistas
têm observado. A invasão de áreas
de proteção ambiental por favelas,
por exemplo, está diretamente ligada
à falta de atenção à
população mais pobre. Na seqüência,
a dificuldade que essas pessoas acabam tendo
de acesso aos serviços urbanos como
saúde, segurança, educação
e até ao emprego só contribuem
para aprofundar os problemas da cidade.
Ao ser questionado sobre o problema do trânsito
nas grandes cidades, Martine citou o exemplo
de Bogotá, capital da Colômbia.
“Há quinze anos as ruas da cidade
eram completamente paradas por causa do trânsito
caótico”, contou. Uma construtora
japonesa apresentou então uma solução
no valor de US$ 90 bilhões que consistia
na construção de túneis
e viadutos. Com um terço desse valor,
porém, a prefeitura da capital preferiu
um plano alternativo. Construiu ciclovias,
copiou parte do modelo de transporte público
de Curitiba (PR) e dificultou o acesso dos
automóveis.
Com isso, a capital colombiana ganhou um
trânsito que, coisa rara entre as metrópoles
do continente, é melhor hoje do que
era há quinze anos. “É
preciso se perguntar para quem serão
feitas as mudanças. Fazer viadutos
privilegiará somente os donos de automóveis
e continuará a deixar a maior parte
da população à pé”,
disparou Martine.
Fonte:Envolverde