está lutando para que esse produto
dê vigor à economia brasileira.
"Queremos consolidar um mercado mundial
para o nosso etanol, que é de uma grande
competitividade, e assim conseguir que o Brasil
tenha um papel importante para a economia
mundial, graças a essa nova fonte de
energia", declara Marcos Jank, presidente
da Unica.
O Brasil produziu no ano passado 16 bilhões
de litros de etanol - equivalentes a 84 milhões
de barris de petróleo - dos quais exportou
apenas 15% (2,4 bilhões). Mas as vendas
para o exterior estão ganhando força
graças ao aumento das plantações
no país. Segundo cálculos do
Instituto de Economia Agrícola (IEA)
de São Paulo, estas poderiam chegar
a 8 bilhões de litros em 2015 e abranger
66,7% do mercado internacional de etanol.
No Brasil, os lucros anuais do setor produtor
de açúcar e etanol giram em
torno dos 13 bilhões de euros, ficando
o açúcar com 44% e o etanol
com 54%. Os 2% restantes são lucros
obtidos graças à produção
de energia elétrica que se fabrica
com o bagaço, resíduo das plantações
de cana-de-açúcar. As porcentagens
variam segundo os preços: no período
atual se produz mais etanol que açúcar
porque o preço dessa commodity caiu
cerca de 30%, o que, segundo a indústria
brasileira, demonstra que seu etanol não
está competindo com a alimentação,
muito pelo contrário. Ao mesmo tempo,
o setor dá trabalho diretamente a mais
de um milhão de pessoas.
O Brasil é o segundo maior produtor
mundial de etanol, atrás dos Estados
Unidos. Mas o etanol norte-americano, produzido
com cereais, não é tão
rentável quanto o brasileiro, obtido
da cana-de-açúcar. A partir
de uma tarifa de US$ 40 (25,9 euros) o barril,
o etanol brasileiro já é totalmente
competitivo economicamente. De fato, o diretor
executivo da Agência Internacional de
Energia (AIE), Claude Mandil, afirmou há
algumas semanas que o etanol de cana-de-açúcar
é no momento "a única alternativa
competitiva" frente ao petróleo,
para o transporte.
No Brasil o etanol já representa 45%
do total de combustível consumido pelos
automóveis - unicamente por veículos
de passeio atualmente, embora em breve também
possa ser usado por motos, ônibus e
aviões de pequeno porte - e a cifra
cresce com velocidade vertiginosa à
medida que o barril de petróleo fica
mais caro. "Aqui o etanol já é
mais popular que o petróleo - brinca
o presidente da Unica - agora o petróleo
é que é a energia alternativa
no Brasil e não o inverso". A
principal razão de sua popularidade
é o baixo preço, que é
em média 30% mais barato que a gasolina,
o combustível que se pode substituir
pelo etanol. "Enquanto o preço
do petróleo não pára
de subir, o do etanol caiu e agora é
mais econômico que a gasolina, inclusive
sem nenhum tipo de subvenção",
afirma Jank.
Atualmente é possível comprar
etanol em qualquer um dos 33.000 postos de
gasolina que existem no Brasil. Os postos
oferecem tanto etanol puro a 100% como gasolina,
que por lei deve conter entre 20% e 25% de
mistura de etanol.
O consumo de etanol exige veículos
híbridos, razão pela qual no
Brasil se desenvolveu uma autêntica
indústria automobilística que
gira em torno desse biocombustível.
Até dez marcas diferentes oferecem
um total de 60 veículos híbridos.
Atualmente, nove em cada dez carros que são
comprados no país o são, e a
Associação Nacional dos Fabricantes
de Veículos Automotores (Anfavea) calcula
que 65% dos veículos do país
serão híbridos em 2015. Seu
preço é subvencionado, razão
pela qual eles custam o mesmo que um automóvel
convencional.
Fonte: La Vanguardia