Sobre a implantação
de projetos na área da piscicultura em comunidades
do açude Estevam Marinho?
O nosso alvo de pesquisa no programa
de doutorado em parceria com a universidade da Espanha
e a UFPB do qual eu faço parte e sou representante
da coordenação desse projeto. O nosso
interesse é fazer um levantamento sócio-produtivo
para termos uma avaliação dos indicadores
de produção de pesca. Haja vista, que
nos últimos cinco anos a comunidade Coremense
tem apresentado uma queda nos seus padrões
de produtividade do pescado, principalmente pela diversidade
de peixes e alterações climáticas
que tem passado. Verifica-se que através das
chuvas e das enchentes que aconteceram recentemente,
o açude encontra-se num estágio otimizado
e por outro lado, num estágio critico. Esse
estágio crítico refere-se principalmente
ao processo extrativista do pescado ou da diversidade
de peixes que vem acontecendo nos últimos anos.
Coremas, pelas informações que se tem
obtido pela universidade, ela se caracterizou nos
últimos cinco anos como uma fonte de referência
na questão da produtividade desse produto,
e hoje vemos que ela tem caído na sua capacidade
de produção de pescado. Então,
esse é um problema que reflete em função
de diversas variáveis que achamos convenientes
retomá-las para podermos dar um suporte tecnológico
e organizacional, a essas comunidades para poder trazer
um desenvolvimento sustentável à comunidade
de Coremas e proporcionar-lhe um estágio produtivo
ideal.
Esse trabalho já está sendo
feito, ou o senhor veio fazer um levantamento, um
estudo, pra implantá-lo aqui?
Como todo trabalho é necessário
primeiramente fazer um diagnóstico, um levantamento
como qualquer outro projeto. A minha permanência
aqui em Coremas é justamente para fazer esse
levantamento através de visitas às comunidades
e verificar em locus qual é a verdadeira situação
em que elas se encontram. Desde ontem que eu estou
aqui em Coremas e certamente estarei esse final de
semana, em novembro estaremos de volta com mais tempo
para fazer uma avaliação mais criteriosa,
para saber como anda a questão do pescado e
a questão da organização social
produtiva desde produto.
Já visitou outras comunidades em Coremas?
Sim. Ontem e hoje visitamos algumas
comunidades, ontem demos uma volta pelo açude
e também falamos com algumas pessoas de outras
comunidades. Em suma, eles nos manifestam que estão
passando por um período critico, principalmente
o alto índice de extrativismo do pescado e
que seu sindicato não está mais como
outrora. É previsível que as condições
de pesca possa entrar em colapso, não tendo
o produto em quantidade desejada, e isto provocaria
uma crise séria no produto peixe ou pescado
aqui no açude de Coremas.
Pelo que o senhor viu e presenciou, há
de ter muito trabalho aqui na cidade de Coremas?
Inicialmente como todo processo de
levantamento e informações, sim. Eu
acho o que essa nova performance que não só
Coremas está vivendo, mas o planeta todo da
função de recursos naturais e águas.
È necessário que a comunidade repense
agora num critério muito mais amadurecido no
que significa esse recurso natural, como mantê-lo.
Há três meses atrás eu fui convidado
para participar na Espanha da Conferência Internacional
sobre as águas e recursos naturais. Os indicadores
informam que provavelmente daqui a vinte anos os recursos
naturais, mananciais, a exemplo de Coremas, se não
forem hoje tratados com políticas de monitoramento
os seus recursos poderão entrar em colapso.
Alguns fatores propiciam toda essa condição:
o extrativismo, a falta de informação,
a desestrutura e a falta de políticas ambientais
que deveriam ser exercidas, mas no entanto, não
se cumprem. Então, digamos, Coremas não
é um problema isolado, Coremas devido o volume
de água é um problema normal, e isto
tem que passar pela consciência de todas as
comunidades, de todos os povos, que o açude
de Coremas não só atende os coremenses,
mas também tem toda uma rede de ligação
com todo Estado da Paraíba, por isso coloca
Coremas em um estágio mais crítico.
Numa média de tempo, começando
o trabalho hoje, enquanto tempo nós teremos
a possibilidade de voltar a ter a pesca como um fator
econômico forte?
Indicadores mostram que há dez ou quinze anos
atrás Coremas teve indicadores de pesca significativo,
em torno de 20 a 40 mil toneladas de peixe, e hoje
está imprevisível, isto é um
indicativo seriíssimo. Quanto tempo demoraria
esse projeto para estabelecer esta condição,
eu acho que vai depender primeiramente da reestruturação
social produtiva das comunidades e das políticas
de gestão que poderão ser retomadas
dentro do fator do pescado. Só que há
um fator também muito importante em tudo isso,
que é a questão da inovação
tecnológica, e também dos novos procedimentos
de produtividade e manutenção das espécies,
temos que trazer as comunidades para que reflita que
as espécies, não são elementos
dissociados do ser humano, que nós e os peixes
somos uma coisa só e que precisamos estar em
conjunto, e isto requer uma conscientização
mais amadurecida para que possamos ter equilíbrio
e pelo que eu tenho observado agora, estamos em um
período ideal, o açude está com
muita água, a água está em condições
boas, não vi indicadores de toxidez ou poluição
elevada, mas em contrapartida está com um baixo
indicador de espécies, e se não prestarmos
atenção algumas delas poderão
entrar em extinção.
Qual o Papel exato da comunidade nesse processo.
Como todo elemento vital social produtivo
as comunidades precisam retomar, na minha opinião,
este papel através de informações,
principalmente. Informações que serão
socializadas, tanto do ponto de vista social, político,
econômico, tecnológico. E que essas comunidades
não fiquem isoladas, ela têm que partir
para uma interação comunitária,
participativa, compartilhada. Então é
meu trabalho fazer um diagnóstico desse fator,
como uma ponte de alavancagem que somente comunidades
que podem se socializar ou compartilhar esta estratégia
de trabalho, podem resgatar os indicadores que outrora
o açude tinha. Sabemos que colocarmos as comunidades
isoladas sem ter um processo produtivo, elas tenderão
a declinar paulatinamente. Primeiramente porque se
sentirão só, segundo porque não
tem a informação, terceiro porque perderão
o credibilidade, então o meu trabalho é
justamente buscar as comunidades que tem interesse
nesse assunto, e também introduzir os fatores
de inovação. Quando eu falo de inovação
não precisa trazer máquinas e equipamentos,
a inovação se dá através
da do processo de educação, tecnologias
básicas, elementares, para poder passar por
um estágio mais avançado. Então
na medida em que as comunidades possam ter acesso
à informações, estrategicamente
diagnosticadas que precisem de uma intervenção,
certamente se elas atingem um patamar imediatamente
passaram para o segundo e depois para o terceiro,
e assim as comunidades poderão dizer que tem
um nível de amadurecimento para poder trabalhar
sustentavelmente com as espécies que se encontram
no açude. Acho que minha tarefa é justamente
conduzir essas comunidades, só que não
é fácil, porque temos referências
que essas comunidades já passaram por diversos
problemas de gestão e também descrédito
por parte dos seus gestores, programas que nunca funcionaram,
recursos que tomaram outros destinos. E a comunidade
ficou a Deus dará. A credibilidade no momento
não é fácil, só com ações
que a própria comunidade poderá partir
passo a passo para retomar o fator produtivo.
O fator financeiro, essa inovação custa
muito dinheiro?
Como toda inovação
é necessário colocar os seus recursos
financeiros, ele teria mais credibilidade na medida
em que a educação ou a conscientização
se consolide, e passa a demonstrar que é passivo,
e que as comunidades estão amadurecidas para
um nono passo. Então os programas de treinamento,
programas de gestão, e avaliações
continuadas, certamente serão feitos. E logo
após, se pensará sobre as expectativas,
ou que medidas os recursos poderão ser introduzidos
paulatinamente. Esses recursos vão desde a
construção das barcas, que agente observou,
por exemplo, o tipo de barca que são usadas,
os períodos que eles saem, o tempo que gastam,
o tipo de motor, gastos com gasolinas, óleo
diesel, e outros tipos de produtos e serviços
que eles mesmos fazem. Isso tem que tomar uma medida
de ação que racionalize o perfil da
atividade pesca. Além disso, se cria também
uma cultura que sabe trabalhar bem, determinado assunto.
Se é para transporte de bode, gado, é
uma cultura que trabalhe só para isso. Se é
do tipo que vai trabalhar só com um tipo de
pescado. Ou nós partimos para ter uma visão
racional equiparada do que é, e quando é,
acho que seria ideal. No entanto, hoje, todo mundo
faz tudo, todo mundo se complica com tudo, e isso
faz com que nossas ações não
entre em uma linha de ação programada,
para que haja um desenvolvimento. Nós deveremos
notar que uma coisa é desenvolvimento e outro
é crescimento. Nós observamos que Coremas
tem tido um crescimento de barcos e comunidades, mas
um baixo crescimento com o produto, e tendências
cada vez menores. Este é um dos fatores que
achamos ser passivo de ser entendido, pela forma de
organização e pela forma da inovação
e também pela carência de recursos para
poderem agir, saudavelmente, equiparado e ativamente
o cultivo da atividade que está realizando.
Participação do Esp. Em Recursos
Hídricos Pedro Severino de Souza.
Boa tarde. É uma grande satisfação
falar nessa rádio FM 87.9. Estou francamente
alegre, por essa oportunidade de vir esplanar o nosso
projeto, conjuntamente com o amigo Professor Juan,
sobre a piscicultura, que faz parte da sua tese de
doutorado na Espanha e trazemos esse projeto elaborado
aqui em Coremas, juntamente com as comunidades envolvidas
na pesca a gente aqui executá-lo para retomar
a nossa produção perdida, que até
a década de 80 a produção de
pescado em Coremas era maior que a do litoral da Paraíba,
e por conta da pesca predatória estamos quase
zerando a produção de pescado, e vai
gerar desemprego nas comunidades e sem dúvida,
um caos social. Quero complementar dizendo o seguinte,
esse projeto de piscicultura para Coremas é
um projeto virtuoso, que vai além do projeto
da produção de peixe, vai surgir outros
projetos, como irrigação, turismo, porque
Coremas tem uma potencial enorme em todas as áreas.
Eu sempre digo, Coremas é uma cidade maravilhosa
no sertão da Paraíba, mais as autoridades
coremenses nunca viram isso. Eu sempre sonhei em Coremas,
um dia ser uma redenção aqui no nordeste
paraibano, porque tem potencial, temos água
e energia, porque a gente sertaneja espera que chova,
para plantar e a maioria das vezes a gente tem água
e energia para plantar, e não se planta, não
tem um projeto de irrigação falta realmente
suporte do Estado, para justamente fazer uma educação
de assistência técnica, e continuar apoiando,
para a gente sair e deixar uns trocinhos, porque isso
causa o êxodo rural dos jovens para São
Paulo, sem nenhuma profissionalização,
vai pra lá, só se marginalizar e cria
um caos social em São Paulo e Rio de Janeiro,
então queremos fixar o homem do campo no campo
lidando com o seu trabalho.
Dentro do projeto do Dr. Juan Cortez, qual
é a sua função nele?
Eu já conhecia o professor
Juan, na conferencia da Terra há uns três
meses, no auditório da reitoria da UFPB, ele
foi conferencista e conheci-o na conferência,
e distribui um cartão meu, pois eu sou escritor,
tenho um blog, então você pode pesquisar
no google “blog www.pedro severinoonline.blogesporte.com.
Você pode pesquisar no link que é direcionado
a pesquisar Terra, planeta água. Uma satisfação
imensa é saber que Você, Daniel é
filho de Marcelino Calassa, casado com Dona Jurandí
Maciel, e seu pai foi um grande amigo meu, a gente
foi colega de Ginásio, estudamos de 1971 a
1974, seu pai era maravilhoso, uma pessoa que tem
uma visão de justiça social, um cara
realmente admirável, pelo seu jeito você
tem seguido o exemplo do seu pai.
Esclarecimentos de Professor Juan
Queria agradecer a você Daniel
e a Marcos pela gentileza, de me trazer para cá
e fazer algumas observações muito importante.
A primeira é que o açude devido agora
esses últimos meses, está nas condições
ideais de manancial de água, gostaria que todos
de Coremas refletissem melhor sobre as condições
da pesca. Bom momento se a gente tomasse decisões
certas, talvez o projeto que eu estou tentando desenvolver
aqui, seja uma das alavancas para poder motivar o
processo produtivo social, tecnológico aqui
no município de Coremas, isso que eu acho e
ser vital. Momento ideal também pela mãe
d’água pelo espaço que está
aí enorme, eu pretendo o ano que vem, estarei
na Espanha, olhando as propostas desse projeto para
poder algumas das comunidades serem implantadas como
projeto piloto de desenvolvimento social produtivo
de inovação tecnológica. Então
acho conveniente da minha parte, como um ser humano
cidadão do planeta água, a todos os
seres humanos, que Coremas está abençoada,
está com uma bacia lindíssima, agora
mesmo eu dei uma andada, e a água está
perfeita e pronta para receber as espécies.
Por favor, parem com o extrativismo, se conscientizem
que precisava crescer novamente, tudo tem o seu tempo
e para isso precisamos de uma educação
ambiental equilibrada, sustentável, eu acho
que caminhando por esse sentido, nós podemos
trazer tudo quanto é de bom para toda essa
área do nordeste, emprego, sustentabilidade,
peixes, inovação tecnológica,
qualidade de vida, enfim todos os elementos necessários.
O que eu quero dizer e já me despedi, eu dou
graças a Deus em estar em um lugar, onde existe
um manancial, que eu tenho andado pela América
latina, e Coremas me impressiona, sinceramente. E
espero que como várias pessoas também
perguntam, se isso mesmo irá dar certo, e eu
respondo que eu não espero que vai dá
certo, isso tem que dá certo. O ser humano
já chegou ao nível de tolerância,
que não pode mais jogar seus recursos naturais
para o lixo. Esse argumento já foi, agora o
planeta precisa, o ser humano precisa, e nós
temos que cuidar desse elemento tão precioso,
que se chama água.
Click AQUI
para fazer download ou abaixo para ouvi o áudio.
|