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Padre Roberto amaldiçoa 'políticos desonestos' durante diplomação e prefeito queixa-se à Diocese - 25/12/2008
O clima de festa e confraternização
que marcava o ambiente da diplomação dos políticos
eleitos (prefeito, vice, vereadores e suplentes) de Coremas, no
último dia 9, no auditório do Tribunal do Júri,
foi quebrado por um discurso inflamado do pároco local, padre
José Roberto (foto). Profundamente angustiado com a
situação de pobreza a que está submetida grande
parte da população coremense, o religioso fez críticas
diretas e indiretas ao prefeito Edílson Pereira,
que estava presente. Falou de corrupção, de atraso salarial
e também não poupou os vereadores, os quais acusou de
omissão.
Diante da juíza e promotor eleitoral, de todos os homens públicos
da cidade, familiares destes e de algumas dezenas de pessoas, o padre
disse que amaldiçoava os políticos desonestos até
sua quinta geração. Para o prefeito e alguns vereadores,
o discurso do religioso foi inconveniente e constrangedor. “Aquele
não era ambiente nem momento para o padre fazer esse tipo de
desabafo, principalmente porque muita coisa que ele disse não
corresponde com a verdade”, lamentou um vereador. Sentindo-se
agredido moralmente e humilhado publicamente, o prefeito disse que vai
prestar uma queixa à Diocese de Cajazeiras contra o sacerdote.
Em contato com a reportagem da Folha do Vale, padre Roberto
disse que fez um discurso consciente e verdadeiro e que não deu
motivos para ser repreendido pela Diocese. “O que eu fiz foi alertar
os políticos sobre o seu verdadeiro papel na sociedade e mostrar
o caos em que se encontra o município, que só tem aparecido
na imprensa de forma negativa”, enfatiza o sacerdote, reiterando
que todo político que não cumpre com suas responsabilidades
já está amaldiçoado, “e o que eu disse foi
apenas para lembrar isso”.
Padre Roberto afirma, ainda, que foi à solenidade
determinado a fazer o discurso por acreditar que aquele era o ambiente
e o momento propícios para o seu desabafo. “Lá estavam
todos os políticos do município e os membros da Justiça,
e quando eu iria ter uma outra oportunidade daquela novamente?”,
pergunta, enfatizando que não pertence a nenhuma corrente política,
mas, como líder religioso e acompanhando de perto o sofrimento
do povo, sente-se obrigado a alertar as autoridades sobre as mazelas
que afetam a população, especialmente a mais pobre.
Pense num padre arrochado!
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