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A DIGNIDADE DO SER HUMANO

Como podemos conceituar a pessoa humana? O que é que nos torna efetivamente seres dotados de “humanidade”?
É importante destacar que ao nos referirmos ao tema da “pessoa humana” não estamos abordando um objeto externo. Estamos nos referindo a algo que conhecemos das nossas experiências elementares. Estamos falando do “EU”. Cada um de nós, em menor grau (como é o caso das crianças que ainda não acumularam experiências de vida) ou em maior grau (como o adulto que já muito viveu e experimentou) pode falar alguma coisa sobre o que é a pessoa humana.
É também verdade que esta pessoa que eu conheço, este “EU”, posso não saber explicar. “Sei” o que “sou”; nem sempre entendo tudo deste “EU”. Mas o que importa aqui para nós nesta breve reflexão é reconhecer que quando falamos da pessoa humana estamos falando de “algo” que eu reconheço como um corpo físico que eu posso pesar, medir, examinar com base em conhecimentos médicos, corpo este dotado de uma dimensão psicológica que envolve meus temperamentos, que se soma a uma dimensão social e, por último porém não menos importante, a uma dimensão ESPIRITUAL.
A pessoa humana é uma unidade, ou unicidade, de corpo e espírito. A doutrina católica nos ensina que ao se infundir neste corpo, uma alma adquiriu-se uma dignidade de filho de Deus. Esta pessoa vale por aquilo que é; merece respeito pelo simples fato de existir. E este valor, esta dignidade não deixa de existir pelas escolhas – certas ou erradas – que esta pessoa faça. A pessoa humana vale por aquilo que é e não por aquilo que faz. Sua humanidade vem a ser esta sua dignidade e valor que interage com estas dimensões corpórea, psicológica, social e espiritual.

Compreender o mistério da fé católica, que dá um pleno sentido de vida, é não perder de vista o significado e o conceito de pessoa humana. A dimensão da pessoalidade é chave fundamental
para o entendimentoe a aceitação daquilo que a Religião anuncia como valor de vida. A crise da pessoalidade é a crise da própria humanidade.
Este nosso tempo, que podemos chamar de “pós-
humanidade”, em muito se caracteriza por uma crise de sentido decorrente de uma falta de se reconhecer algo definitivo, estável, que prescinda da diversidade das culturas e das sociedades e que existe na pessoa humana algo de intangível, de imutável, de sagrado, que deve ser respeitado. Na nossa época não se reconhece nada como definitivo. Já se disse que vivemos na era do descartável. E a partir daí as relações humanas também adquirem a mesma conotação: namorado ou namorada “descartável”, por exemplo, isto é, eu uso e depois jogo fora ou “deixo pra lá”. Não é assim com as relações afetivas? Usei a palavra namoro, que também nem mais se fala, pois se diz “ficar”, o que caracteriza um tipo de relação transitória que agora existe e daqui a pouquinho não vai existir mais.
Trata-se da imposição de uma forma de pensar, isto é, de uma mentalidade. Somos bombardeados todos os dias por mensagens – e aí tem o mau uso da televisão e da mídia em geral – ao querer que nós acreditemos que o correto é, por exemplo, entender a liberdade como “independência” sem responsabilidade, ou ainda que o que vale a pena é a busca desenfreada por prazer, custe o que custar.
Como vencer isso? Retomando, reafirmando, anunciando que existe sim UM fundamento, ponto de referência para tudo. Na doutrina católica este fundamento é CRISTO, que se revelou para nós para nos explicar, isto é, revelar quem somos: pessoa humana, filho de Deus, unidade corpo/alma/espírito.

Pe. José Roberto
Paroquia Santa Rita de Cássia
Coremas-PB

 

 

 
 
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