economizou palavras quando sentenciou:
“Se morrer é descansar, prefiro viver cansada”.
Existem algumas definições sobre morte
de ordens literárias, cientificas, filosófica
e até teológicas. A melhor das definições
é esta por não dever autoria a ninguém:
“A morte é o conjunto de fenômenos
e fatores que se opõe à vida".
O Direito Civil é taxativo quando afirma que
o cadáver é coisa. Eu vou muito mais além.
Em minhas aulas afirmo que é uma coisa indesejável.
Não cometo nenhum sacrilégio ou profanação
com esta afirmativa, uma vez que, ninguém de
sã consciência deseja guardar um morto
em casa. Guardamos a caneta de vovô, a pulseira
de titia, o anel da madrinha e a aliança de papai,
porém, não queremos guardar os cadáveres
dos personagens citados, por mais gratidão que
devamos a eles.
Quantas vezes estamos em um velório e na hora
da partida do féretro para sua última
morada, ouvimos o choramingar desesperado de um familiar
gritando: ”Não levem, deixem comigo”.
Se as personalidades presentes que velam o morto combinarem
entre si e responderem: “Está bem, fique
com ele”. O próprio chorão responderá:
“Vocês são quem decidem: levem e
entreguem a Deus".
Por ser coisa, é lógico que tem um destino;
por escolha pessoal quando ainda estava em vida ou por
tradição religiosa e familiar.
• Inumação: Os sete palmos de fundura
na terra que tem direito por herança;
• Cremação: Redução
rápida a cinzas em fornos crematórios;
• Imersão: Tradição saudável
dos velhos lobos do mar;
• Destruição por animais: Costume
da velha Índia e de algumas colônias africanas;
• Veneração: Quando colocados em
criptas de vidro por exigências da comunidade;
• Estudos: Doados pela família às
universidades, para o aprendizado anatômico.
Desde que o mundo é mundo, que os apavorados
têm medo de cemitérios, de visagens, de
almas penadas, de defuntos e de coisas tais. Outros
mais afoitos contam histórias mirabolantes de
almas perdidas, assombrações e, descobertas
por sonhos, de botijas salvadoras recheadas em moedas
de ouro.
Conheço um conterrâneo que ao passar diante
de um cemitério, na hora em que os reflexos do
luar sobre os arvoredos ali existentes, produziam imagens
fantasmagóricas, ouviu vindo lá de dentro,
gemidos lamentosos e desesperadores. Parou, ofereceu-se
para mandar celebrar uma missa e até pagar as
dívidas do finado. Ficou estupefato, estarrecido
e atônito quando descobriu que não era
uma alma penada como imaginava ser, e sim, alguém
que ali estava escondido satisfazendo as necessidades
fisiológicas. Em vez das exéquias religiosas
ou pagamento de dívidas, um simples pedaço
de papel higiênico resolveu o problema da assombração
agonizante.
Quanto às verdades existem muitas, como da realidade
da putrefação, mumificações,
saponificação, maceração,
mudanças na coloração da pele,
de odor fétido, dos sete palmos profundos na
terra que tem direito e da transformação
rápida em esqueleto.
Para chegar a esqueleto o cadáver passa pela
fase de decomposição que é a destruição
do corpo por bactérias, fungos, insetos e até
por animais predadores. Todo cemitério que se
presa deverá ter os agentes biológicos
acima citados, e mais: ratos, pebas, cachorros, urubus
e carcarás. A hiena só não é
bem vinda, por ser grande demais.
Sobre as lendas, os romances estão recheados
de dados heróicos, vitoriosos, sensacionais e
estarrecedores. A história conta que o grande
guerreiro espanhol El Cid ganhou uma batalha considerada
perdida depois de morto. Os comandados deste herói
amarraram o seu cadáver em cima de um cavalo,
puseram a espada em riste direcionada para o inimigo
e a luta foi vencida. O adversário espantado
com aquela figura exótica e resoluta a cavalgar,
fugiu em debandada.
2. VERDADES E LENDAS: De minha lavra comentarei algumas
observações inusitadas ou fatos curiosos
de extraordinária repercussão. Tenho como
bases, as experiências adquiridas ao longo de
trinta anos executando ou presenciando necrópsias
e, na célebre expressão popular do “OUVI
DIZER”. Usarei inclusive, as mesmas palavras ou
chavões populares dos fantásticos e animados
narradores. Alguns dos exemplos citados são reais
e de comprovados valor científico. Outros são
frutos de fantasias imaginárias ou façanhas
criativas. Verdades ou mentiras, proezas ou vexames,
serviram no passado para amedrontar crianças.
Digo no passado, porque com o advento da televisão,
pirralho medroso é logo apelidado pelos colegas
de boiola. Fica encabulado, perde o medo, enfrenta as
assombrações e passa a ser corajoso. Hoje
em dia, nem a figura maldosa e horripilante do capeta
faz medo à criançada. Sem maiores delongas,
permitam-me que vá direto ao extravagante assunto.
CONTINUA...
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