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A BEDIDA ALCOOLICA E A LEI SECA
 
PARTE I
 

APRESENTAÇÃO: A bebida alcoólica é uma das mais antigas, existe desde o começo do mundo. Provoca o vício, destrói as pessoas, desorganiza as famílias e perturba a sociedade. Apesar de gerar males persiste miseravelmente até os dias atuais. O inusitado é que no passado era substância tida como divina por alegrar a humanidade, produzir entusiasmo nos fracos, libertar os oprimidos e ser o refúgio dos abandonados. Atualmente, por render dividendos ao Estado através de impostos é denominada droga lícita com tendências a permanecer com este ridículo título por tempo indeterminado.

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DADOS HISTÓRICOS: Pesquisas realizadas apontam que os primeiros indícios do uso do álcool etílico como bebida é de aproximadamente 6.000 anos antes de Cristo. No começo dos tempos as bebidas tinham conteúdo alcoólico relativamente baixo, como o vinho e a cerveja por serem produtos de fermentação. Com a descoberta da técnica de destilação, introduzida pelos árabes na Europa, surgiram tipos

diferentes de bebidas, com teor alcoólico maior. Foi justamente nesta época que a bebida passou a ser considerada um medicamento precioso para todos os tipos de males. A evolução industrial registrou aumento na oferta das destiladas como uísque, rum, conhaque, gim, vodka, tequila e cachaça com boa aceitação pelo consumidor. A conseqüência desta evolução atraiu muitos adeptos e consequentemente diferente tipos de doença.

ABSORÇÃO E ELIMINAÇÃO: A bebida alcoólica é absorvida fácil e rapidamente pelas mucosas digestivas, todavia em casos excepcionais poderá ser também por via endovenosa. A eliminação é demorada e exercida através do fígado, fezes, urina, suor, respiração (bafo de onça), lágrimas e leite materno.

EFEITOS MALÉFICOS DO ÁLCOOL:
• Efeitos agudos: O uso imoderado do álcool gera efeitos estimulantes e depressores. Os primeiros por originarem euforia, desinibição, loquacidade, valentia, choros e risos e os segundos ao provocarem falta de coordenação motora, descontrole do andar, vômitos e sono. Quando o consumo é alto os efeitos depressores ficam exacerbados, levando ao estado de coma e morte. As conseqüências drásticas da bebida alcoólica variam de acordo com as características, o estado de ânimo e a disposição do usuário. Alguém que é acostumado a ingeri-la sentirá reações de menor intensidade, quando comparado com um outro que não está habituado ao uso. A estrutura física diferenciada como estatura, envergadura e peso, também contribuem com uma maior resistência à suas complicações.
• Efeitos crônicos: O álcool é uma droga psicotrópica, atua no sistema nervoso central, provocando mudanças de comportamento no consumidor e desenvolve dependências psicossomáticas. Como é considerado droga lícita tem seu consumo admitido e até estimulado pela sociedade. Daí um dos motivos pelo qual é encarado de forma diferenciada, quando comparado com outros tipos de droga. Apesar de sua aceitação social, quando é consumido passa a provocar doenças graves, intranqüilidades familiar e perigos sociais. Além das inúmeras violências associadas a embriaguez, o consumo de álcool provoca no usuário dependências conhecidas e diagnosticadas como ALCOOLISMO.

• Efeitos psicossomáticos: Os dependentes do álcool desenvolvem várias doenças, assim estabelecidas: Doenças do fígado (esteatose hepática, hepatite e cirrose). Doenças gastrintestinais (gastrite, síndrome de má absorção e pancreatite). Doenças cardiovasculares (hipertensão e insuficiências cardíacas). Doenças neurológicas (amnésias, polineurites, cefaléias, formigamentos corporais e cãibras).
• Efeitos na gravidez: O consumo de álcool na gestação traz conseqüências desastrosas para a mãe e feto. É recomendável que a gestante evite o consumo de bebidas alcoólicas, não só ao longo da gestação como também durante o período de amamentação, pois o álcool pode passar para o bebê através do leite materno. Cerca de um terço dos bebês de mães que fazem uso da bebida durante a gravidez, nascem afetados, com sinais de excitação, insônias, tremores das extremidades e irritações mentais. Quando sobrevivem têm problemas físicos e neurológicos.

 
ALIRIO BATISTA DE SOUZA
• Médico – CRM. 579
• Advogado – OAB. 2.325.
• Professor de Medicina Legal no Centro Universitário de João Pessoa - UNIPÊ.                   Credito
 
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