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O XIQUEXIQUE E A MESCALINA

Nasci e me criei na zona rural. Gostava do correr pelos matagais, cavalgar nos campos, tomar banho de açude e descansar nas sombras dos arvoredos. Minha mãe prevenida mandava que eu tivesse cuidado com cobras, cachorros doidos e espinhos, principalmente os de

jurema, de juazeiro e de xiquexique.
Xiquexique, cardeiro, mandacaru, palma e coroa de frade a caboclada do sítio dizia ser da mesma família. Sempre achei o xiquexique uma planta sofisticada, cheia de espinhos, verde o tempo todo, pouco importando se estivesse na época da seca ou do inverno, e mais, meu velho pai costumava enterrar seus fios no pé da cerca que circundava o roçado. Os mais experientes com a vida afirmavam: “o xiquexique é uma planta verde, feia, desfolhada, porém, de poderes milagrosos”.
• Possui o formato de candelabro;
• É um pau que não dá sombra nem encosto;
• Tem água em abundância no caule;
• Dá uma flor bonita e perfumada;
• Seu fruto é comestível;
• Possui espinhos pontiagudos que servem para espetar as almofadas das bordadeiras que manuseiam os bilros na confecção das rendas artesanais;
• É planta decorativa nas paisagens sofridas do nordeste;
• Tem o aspecto do caboclo sertanejo, forte, viril e difícil de morrer.
O tempo foi se passando e admiração que mantinha pelo xiquexique foi deixada para trás ficando apenas as recordações dos aperreios da minha mãe quando eu teimava em caminhar descalço pela plantação da capoeira e subir no serrote vizinho.
Hoje está comprovado que perfumes maravilhosos são extraídos das flores do xiquexique e uma poderosíssima substância tóxica ou medicamentosa é retirada de suas flores e frutos: A MESCALINA
A mescalina é um tremendo alucinógeno encontrada de inicio no cacto mexicano denominado e PEIOTE e depois colhida nas demais plantas dessa família, inclusive no xiquexique ou cacto de são Pedro e em todos os seus familiares. Apresenta-se como um pó branco consumido através da aspiração, da ingestão em forma de suco e por via injetável se diluída em água bidestilada. Seus alcalóides se instalam no cérebro provocando alucinações, alterações de consciência, defeitos de percepção e desorganizações visuais.

DADOS HISTÓRICOS
A mercalina é extraída dos cactos por mais de dois séculos e o uso se desenvolveu nas zonas desérticas de países americanos. Por algum tempo foi consumida como substancia sagrada principalmente para os silvícolas mexicanos. Foi consumida em rituais santos de várias tribos na época pré-hispânica, contudo, as conquistas e as conversões ao catolicismo limitaram o seu uso unicamente aos influenciadores das práticas pseudos-espirituais.

EFEITOS PREJUDICIAIS A SAÚDE
Chegam ao sistema neurológico cerca de 60 a 90 minutos quando aspirada em forma de pó ou ingerida como chá e entre 10 a 20 minutos se injetada por via venosa ou intramuscular. A eliminação por via respiratória, digestiva e urinária demora de 10 a 12 horas. Assemelha-se ao LSD, contudo, em escala menor dando distorções de imagens, alucinações, instabilidade emocional, idéias paranóides, tremores de extremidades, taquicardia, sudorese e dilatação de pupila. É considerada droga alucinógena prejudicial à convivência social, ao progresso da humanidade e a saúde física e mental.

ALERTAS CONCLUSIVAS:
Todo santo dia surge um novo tóxico, ora sintetizado, ora extraído de vegetais, ora manipulado pelo usuário. A mescalina é uma substância antiga, porém, o traficante por não conseguir esconder os demais tóxicos dos cães farejadores, resolveu voltar a colocá-lo no comércio dos países europeus. O medo é que também chegue ao Brasil. Atualmente é muito difícil viver sem as tentações dos bandidos, pois o ser humano é perseguido pelo trânsito em desespero, pelas balas perdidas e pelo uso desenfreado de qualquer tipo de droga. E há ainda quem acredite “que a paz está entre os homens”.

ALIRIO BATISTA DE SOUZA
• Médico – CRM. 579
• Advogado – OAB. 2.325.
• Professor de Medicina Legal no Centro Universitário de João Pessoa - UNIPÊ.                   Credito
 
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