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RECORDAÇÕES DA IMFÂNCIA

O local onde nasci e me criei fica nas proximidades de um outeiro denominado de SERROTE DO PICO. Meu velho pai ANTONIO SOARES BATIpara o norte nas proximidades do tal serrote. A casa era ampla, calçada alta

dando oportunidades de se observar sem dificuldades o açude localizado na frente, formidáveis pés de juazeiro dos lados e os currais do gado, das ovelhas e os chiqueiros das cabras e dos bodes.
STA construiu uma casa grande de tijolo batido com a frente voltada
Antonio Batista, como era mais conhecido, símbolo de seriedade, honestidade, dedicação e de trabalho campestre, costumava, nas noites enluaradas sentar-se no alpendre dessa casa para distribuir simpatia com os moradores, contar suas proezas do tempo da juventude e ouvir as lorotas dos trabalhadores do campo.

Certa feita narrou um caso verídico e interessante de três famílias que se passou no famoso município de Souza. Vejamos a historieta nas suas palavras:

“Uma jovem inteligente e bela resolveu ir para a cidade estudar para ser professora da zona rural. Naquela época as coisas eram difíceis e para adquirir os meios de subsistência na cidade grande tinha que trabalhar duro e muito mais”.

“A jovem aventureira pertencia a três importantes famílias do município, ainda hoje com suas ramificações ali plantadas. A família GARRA, a ROLLA e a ROCHA. Essa parentela unida não mediu esforço, se cotizou e assumiu o compromisso solene em manter a futura professora no colégio das DAMAS da próspera cidade de Cajazeiras”.

“Quatro longos anos se passaram e a bela jovem colou grau em pedagogia, recebeu o diploma e alegre, firme e resoluta voltou para o aeu sítio para ensinar a meninada, por sinal em quantidade avantajada, na época não existia televisão”.

“As três famílias novamente se cotizaram, mataram um garrote gordo, perus e galinhas para receberem a professorinha. Resolveram convidar os cantadores de viola das proximidades, fizeram uma imensa latada de folha de coqueiro no oitão da futura escola e tudo organizaram para a almejada festa”.

“A professorinha chegou ao entardecer e apesar de ter viajado na garupa do cavalo do irmão se mostrava animada para enfrentar os elogios da dupla caipira de cantador e os abraços dos animados convidados”.

“Tomou um banho morno preparado com carinho por sua querida mãe, vestiu uma roupa de seda bordada de azul anil, perfumou-se e apareceu sorridente na latada festiva. Sua presença recebeu vivas, palmas, abraços, e brindes de todos os chefes de família da redondeza”.


“Um dos cantadores, depois de muito tempo afinando as cordas da viola, a sem maiores atropelos, assim iniciou a maldosa, porém, inteligente saudação”:

VEM CHEGANDO A PROFESSORA,
DA QUAL O ALUNO TEM MEDO,
COM UM LINDO ANEL NO DEDO,
BRILHANDO COMO UMA TOCHA,
E PERTENCE A TRÊS FAMÍLIAS
A GARRA, A ROLA E A ROCHA.


“Houve risos, gargalhadas, vaias e contestações. Os convidados ficaram encabulados, as mulheres escandalizadas e quase há um inicio de arruaças e brigas por aqueles que viram na saudação a malícia dos maus pensamentos”.

“A professorinha não perdeu a esportiva porque o verso, apesar das mal traçadas linhas dizia a verdade nua e crua sobre a origem de seus familiares. No dia seguinte iniciou com bastante ânimo as suas aulas e segundo testemunhas valiosas o curso de alfabetização de crianças e adultos foi um sucesso”.

ALIRIO BATISTA DE SOUZA
• Médico – CRM. 579
• Advogado – OAB. 2.325.
• Professor de Medicina Legal no Centro Universitário de João Pessoa - UNIPÊ.                   Credito
 
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