folhas, via-se perfeitamente que
se expulsava a tristeza para se dar lugar a alegria.
A lua estava ao meio do céu límpido, puro
e atraente, cobrindo com seus raios enciumados o cintilante
e risonho brilho das estrelas.
A passos largos e apressados caminhava perambulando
de madrugada adentro, um jovem esguio e alto, de pernas
compridas e mal feitas. Tinha saído às
primeiras horas da noite a passear pelas tortuosas veredas
que delimitavam o imenso matagal.
Em um outro rancho rústico, porém alegre,
um outro jovem, talvez da mesma idade, deitado na relva
olhava firme para um teto pobre, meditando o progresso
e as desventuras do dia.
O jovem caminhante aproximou-se cautelosamente do rancho,
escorou-se em uma das forquilhas, girou o corpo magro
sobre um dos pés, agitou-se cambaleando e deu
um áspero bom dia.
--- Como vai dorminhoco ???
--- Vou bem, triste ambulante. Respondeu o que ainda
estava deitado a contar as estrelas do céu.
--- Triste não, replicou o visitante. Eu sou
o progresso, de mim dependem as indústrias, as
residências, as barragens, as maquinarias e os
utensílios caseiros. Você é quem
é triste, pois vive a dormir dia e noite, deitado
a relva sem ter ânimo para observar a beleza do
luar e sentir o ar saudável da madrugada.
--- Ah, meu amigo, respondeu o outro, se você
é artista quanto mais eu. Sou o responsável
pela beleza dessas máquinas, desses prédios,
dessas indústrias que acabaste de falar. Porém
há uma coisa que me deixa apreensivo. O seu sofrimento
e as suas glórias são iguais as minhas.
Contudo, vejo que você assim como eu, não
tem lar, não tem criados, não tem família
e nem tem amores. Coisa que também eu não
tenho.
--- Como é seu nome ??? Com curiosidade indagou
o visitante.
--- Eu sou o conhecidíssimo ESQUADRO, traço
linhas retilíneas com o meu corpo, coisa que
meu senhor não consegue fazer sozinho. E o seu
??? Adorável companheiro.
--- Ah, o meu nome é interessante. Eu sou o COMPASSO.
Faço círculos com as pernas e apesar de
ser desprezado pela sociedade, sou muito útil
a meu amo.
--- Então camarada COMPASSO, vamos exigir alguma
coisa dos nossos patrões, pois motivos justos
temos de sobra.
--- Muito bem amigo ESQUADRO, dessa hora em diante continuaremos
unido e só trabalharemos juntos. “A união
faz a força”.
Os dois se abraçaram demoradamente. O sol a estas
horas já havia acordado e caminhava por cima
dos montes. Era dia.
Os dois amigos que ainda continuavam abraçados
se soltam, dão-se as mãos em seguida e
sorridentes iniciam junto à viagem, sofrejando
baixinho uma canção que mais ou menos
dizia assim...
Sou o COMPASSO, senhor da natureza,
Alto, esguio e sempre girando,
A construir a escada do progresso,
Que a arquitetura fica admirando.
Sou o ESQUADRO, fiel em linha reta,
Deitado ao solo, porém de fronte erguida,
A observar os degraus íngremes do sucesso,
E a engrandecer minha pátria querida.
São dois amigos valorosos e fortes,
De leste a oeste e de sul a norte,
Unidos, trabalhando lado a lado,
Pelo progresso da beleza e da alegria,
Este é o símbolo forte da MAÇONARIA
O ESQUADRO e o COMPASSO bem abraçado.
(*) Trabalho proferido à Loja Maçônica
Padre Azevedo.
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