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A MAÇONARIA E OS DOIS AMIGOS (*)

Era mês de maio, época das flores, das noivas, das novenas e também das serenatas. Precisamente, uma hora da manhã. O vento frio e macio soprava as ramagens dos matagais, fazendo assim tremular suas folhas, e, nesse tremular de

folhas, via-se perfeitamente que se expulsava a tristeza para se dar lugar a alegria. A lua estava ao meio do céu límpido, puro e atraente, cobrindo com seus raios enciumados o cintilante e risonho brilho das estrelas.
A passos largos e apressados caminhava perambulando de madrugada adentro, um jovem esguio e alto, de pernas compridas e mal feitas. Tinha saído às primeiras horas da noite a passear pelas tortuosas veredas que delimitavam o imenso matagal.
Em um outro rancho rústico, porém alegre, um outro jovem, talvez da mesma idade, deitado na relva olhava firme para um teto pobre, meditando o progresso e as desventuras do dia.
O jovem caminhante aproximou-se cautelosamente do rancho, escorou-se em uma das forquilhas, girou o corpo magro sobre um dos pés, agitou-se cambaleando e deu um áspero bom dia.
--- Como vai dorminhoco ???
--- Vou bem, triste ambulante. Respondeu o que ainda estava deitado a contar as estrelas do céu.
--- Triste não, replicou o visitante. Eu sou o progresso, de mim dependem as indústrias, as residências, as barragens, as maquinarias e os utensílios caseiros. Você é quem é triste, pois vive a dormir dia e noite, deitado a relva sem ter ânimo para observar a beleza do luar e sentir o ar saudável da madrugada.
--- Ah, meu amigo, respondeu o outro, se você é artista quanto mais eu. Sou o responsável pela beleza dessas máquinas, desses prédios, dessas indústrias que acabaste de falar. Porém há uma coisa que me deixa apreensivo. O seu sofrimento e as suas glórias são iguais as minhas. Contudo, vejo que você assim como eu, não tem lar, não tem criados, não tem família e nem tem amores. Coisa que também eu não tenho.
--- Como é seu nome ??? Com curiosidade indagou o visitante.
--- Eu sou o conhecidíssimo ESQUADRO, traço linhas retilíneas com o meu corpo, coisa que meu senhor não consegue fazer sozinho. E o seu ??? Adorável companheiro.
--- Ah, o meu nome é interessante. Eu sou o COMPASSO. Faço círculos com as pernas e apesar de ser desprezado pela sociedade, sou muito útil a meu amo.
--- Então camarada COMPASSO, vamos exigir alguma coisa dos nossos patrões, pois motivos justos temos de sobra.
--- Muito bem amigo ESQUADRO, dessa hora em diante continuaremos unido e só trabalharemos juntos. “A união faz a força”.
Os dois se abraçaram demoradamente. O sol a estas horas já havia acordado e caminhava por cima dos montes. Era dia.
Os dois amigos que ainda continuavam abraçados se soltam, dão-se as mãos em seguida e sorridentes iniciam junto à viagem, sofrejando baixinho uma canção que mais ou menos dizia assim...

Sou o COMPASSO, senhor da natureza,
Alto, esguio e sempre girando,
A construir a escada do progresso,
Que a arquitetura fica admirando.

Sou o ESQUADRO, fiel em linha reta,
Deitado ao solo, porém de fronte erguida,
A observar os degraus íngremes do sucesso,
E a engrandecer minha pátria querida.

São dois amigos valorosos e fortes,
De leste a oeste e de sul a norte,
Unidos, trabalhando lado a lado,

Pelo progresso da beleza e da alegria,
Este é o símbolo forte da MAÇONARIA
O ESQUADRO e o COMPASSO bem abraçado.

(*) Trabalho proferido à Loja Maçônica Padre Azevedo.

ALIRIO BATISTA DE SOUZA
• Médico – CRM. 579
• Advogado – OAB. 2.325.
• Professor de Medicina Legal no Centro Universitário de João Pessoa - UNIPÊ.                   Credito
 
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