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ESCOLHA DE UM LIDER

Adaptação da fábula “O chefe”

Esta fábula é antiga e divulgada. Todavia, fizemos algumas modificações, acrescentando detalhes que foram esquecidos na versão original. Assim sendo, caso as alterações tenham piorado o texto original, assumo toda responsabilidade, isentado

o desconhecido e inteligente autor de possíveis fofocas futuras.
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Certa vez, as vísceras compostas pelo cérebro, estômago, coração pulmão, fígado, intestino, rim e pele resolveram fazer uma reunião para escolher o líder das cavidades de comunicação externa, ou melhor, que se comunica com o meio ambiente. Como representantes dessas cavidades foram convocados os olhos, a boca, o nariz, os ouvidos, os poros e a uretra. O ÂNUS por se encontrar arredio e em localização ignorada foi o último a receber a comunicação. Manhoso, não se irritou, ficou sentado esperando que tudo se resolvesse.

Após alguns debates infrutíferos em que as palavras demagógicas como: achar, pensar e julgar foram usadas, o cérebro foi o escolhido para presidir a reunião. Inteligentemente, sentou-se à cabeceira da mesa, inflamou-se e ditou as normas: “Só será candidato quem possuir conhecimentos e competências necessárias, pois o posto é importante e exigirá muito jogo de cintura”. Gritou em voz alta: “Quem se apresenta como candidato?”.

O Olho: “Sou candidato e exerço importante função. Vejo toda problemática externa, contribuo com o meu piscar com os namoros, repreensões, emoções, ordens de serviços e acenos. Tenho cores bonitas e impressiono”.
A Boca: “Quem tem condições de liderar sou eu. Falo, admoesto, repreendo, dito normas e tenho como armas secretas, o sussurro e o cochicho. Tenho lábios para beijar, dentes para sorrir e língua para provar os alimentos”.
O Ouvido: “Tenho tudo para comandar. Ouço os segredos, escuto as reclamações, tomo conhecimento das dúvidas vexatórias e sei quando alguém está sendo traído”.
O Nariz: “Sou um líder nato. Sinto o perfume e o fedor de todos indistintamente. Quando da escolha da comida ou bebida, sou o primeiro a ser acionado”.
O Poro: “Vou ser o líder porque tenho uma grande família e através do suor que produzo aqueço e esfrio a superfície corporal”.
A Uretra: “A escolhida deverá ser eu por reunir condições, e ser representante do sexo feminino. Não existe coisa melhor para a saúde do que meu trabalho”.
O ÂNUS: Levantou-se mal humorado e disse, “Sou o candidato e pronto”.

Diante da arrogância malcriada e peremptória do ÂNUS houve um protesto generalizado e, todos os candidatos falaram de uma só vez: “Você não pode representar ninguém. É feio, vive escondido, tem boca cheia de pregas, é inconveniente, fedorento, mal posicionado e só tem contacto com o que não presta”.

O ÂNUS, sem perder a esportiva respondeu: “Está bem, se não me aceitam, entrarei de greve por tempo indeterminado. Vocês haverão de se arrepender”.

A promessa de greve foi cumprida, o tempo fechou e começou a indigestão. O cérebro começou ter tonturas, dores de cabeça e irritações. O estômago apresentou azia, náuseas e hálito repugnante. O pulmão sentiu falta de ar fazendo com que o coração disparasse apressadamente. O fígado azedou a alimentação impedindo o trabalho do intestino. O rim parou de filtrar as substâncias e a urina diminuiu. A pele ressecou a adquiriu uma tonalidade amarelada. Os membros passaram a ter câimbras generalizadas. Os apetrechos de reprodução amoleceram de vez e não mais se excitaram.

Em poucos dias o silêncio contra o ÂNUS foi quebrado e todos os órgãos que formam o corpo bradaram genuflexos: “ÂNUS, seja o nosso líder, acabe com essa greve”.

Moral da História: Os políticos brasileiros são assim escolhidos.

ALIRIO BATISTA DE SOUZA
• Médico – CRM. 579
• Advogado – OAB. 2.325.
• Professor de Medicina Legal no Centro Universitário de João Pessoa - UNIPÊ.                   Credito
 
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