sentado um casal de velhos, soprando
para o ar deliciosas baforadas de fumaça tiradas
de um cachimbo rústico.
Viu-se ao longe um vulto, que de início a meninada
pensou ser uma visagem ou coisa do outro mundo. Após
chegar mais perto tomou a forma de gente, e, aproximou-se
a passos curtos do tristonho casarão. Era um
moço amante das caminhadas, que por ter se empalhado
na casa de uma prima andava de noite adentro. Deu boa
noite a toda matutada, sentou-se em uma pedra e também
entrou no animado papo.
Uma velhinha de cabelos brancos devidos o passar dos
anos, de rosto pregueado de contar sofrimentos, escorada
em um bastão aproximou-se da porta do meio e
acocorou-se debaixo da latada.
--- Vovó conte uma estória de Trancoso!!!
Pediu um dos pirralhos sujo e barrigudo que corria no
terreiro do casebre.
---- Estória de que, menino???
O repertório da velhinha era longo, pois contava
mentiras de cangaceiros, santos, bruxarias, maus assombros
e princesas, todos os santos dias.
--- Conte a da MAÇONARIA, gritou outro barrigudinho
encostado na forquilha situada no meio da latada.
--- A MAÇONARIA meus filhos, começou a
velha, é uma corja desgraçada e organizada.
Basta dizer que eles têm um segredo secular que
a ninguém quer contar.
--- Qual é este segredo??? Indagou novamente
a nora que estava dando cafunés no marido.
--- Eles, prosseguiu a velha, se trancam em um quarto
escuro pegam a imagem de Cristo e quebram. Acho que
foi eles que crucificaram Jesus de Nazaré. Ainda
por cima disto, eles prometem abandonar o lar, os pais,
esposas e parentes. Vocês bem que viram na missa
do galo, o Padre Nazareno botar dois deles para fora
da Igreja. São os Antes Cristos. Meus filhos,
aquilo é um pessoal do Diabo, nem sequer alma
têm.
O moço, aquele recém chegado que ouvia
a conversa da velha, não mais conseguiu manter-se
em silêncio, e, olhando para a meninada exclamou
irado...
--- Esta é uma das coisas mentirosas que os nossos
antepassados inventaram e difundiram. A verdadeira MAÇONARIA
ensina a praticar o bem, ajudar ao próximo, abraçar
a pobreza, constituir um lar e a enriquecer os méritos
de uma família.
Levantou-se apressado, deu boa noite meio entediado
aos presentes, e, de caminho a fora saiu assim RESMUNGANDO...
Ontem, o teu passado apedrejaram,
Empoeirando assim teu majestoso nome,
Rasgaram o véu do teu passado,
Amaldiçoando-te, sem saciar a fome.
Não caíste. Andaste de fronte erguida.
Vitoriosa e cheia de esplendor,
Amparaste a quem te fazia o mal,
Pois és bondosa e cheia de amor.
Teu passado de luta te enobrece,
E jamais no mundo ninguém te esquece
Pois és a glória, o esplendor, és
alegria.
És o brasão forte da honestidade,
Em ti só se ver a verdade.
Eu te saúdo oh grande MAÇONARIA.
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