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OS JÓVENS E SUAS MAZELAS

NOTAS PRELIMINARES
Depois de passar uma manhã inteira ministrando aulas de Medicina Legal para os estudantes de direito do centro Universitário de João Pessoa, responder perguntas ingênuas de alunos desinformados e ouvir

bate-papos politiqueiros de alguns professores radicais, chego a minha residência com muita fome para o almoço. Quando me dirijo ao meu quarto para tirar os sapatos e guardar a parafernália de papéis que conduzo, a minha esposa informa que o filho da faxineira deseja uma consulta urgente, porém, grátis. Fui à sala onde o mesmo estava sentado e sem maiores rodeios, indaguei!
         - O que diabo você tem?
O jovem caboclo encabulado, sussurrando com voz bitonal por medo que sua mãe ouvisse as queixas de suas mazelas ou doenças, responde:
         - Doutor estou com uma coceira horrível aqui nas partes de baixo.
Ordenei que baixasse a calça e o calção futebolístico sujo de cor azulada que servia de cueca para que eu pudesse examiná-lo melhor. Fiquei de veras horrorizado com a quantidade de chato de coloração avermelhada que vagava comodamente no meio dos gramados pubianos. Prescrevi Benzoato de Benzila e orientei que desbastasse a cabeleira da virilha e passasse superficialmente com um enchumaço de algodão o remédio prescrito duas a três vezes ao dia. Terminada a consulta, o jovem agradeceu com acenos respeitosos e partiu para jogar uma pelada de praia.
Almocei, tirei a sesta costumeira e depois pequei um livro antigo de dermatologia que ainda guardo com carinho na estante para refrescar a memória. Li alguns tópicos e encontrei o nome científico dos miseráveis habitantes da região pubiana do jovem - Phthirus Púbis, ou melhor, pediculose pubis.

ORIGEM DA TAL MAZELA
O Phthirus púbis é um parasita ou piolho conhecido secularmente que se gruda na pele e nos pêlos para se alimentar do sangue do hospedeiro. Por incrível que pareça é tido como doença contagiosa transmitida sexualmente e própria dos seres humanos, uma vez que os outros animais raramente são infestados. São adquiridos através do contacto corporal ou uso indevido das roupas de colegas que não costumam ter asseio corporal. Acometem aos dois sexos, todavia, a preferência maior é pelo lado masculino, pois o rapazinho raramente faz um asseio completo das genitálias externas.

SINAIS E SINTOMAS
Os sinais aparecem depois de uma relação sexual anti-higiênica, suas lêndeas surgem em espaço de duas semanas e os piolhos se disseminam rapidamente. A sintomatologia se caracteriza por prurido ou coceira intensa motivado pela saliva regurgitada do inseto adulto. Provoca sensação de ardor e as escoriações surgidas pelas unhadas da pessoa hospedeira formam pápulas ou calombos róseos na pele. As lêndeas e o próprio piolho vagando, facilmente poderão ser vistos com lupas ou ao olhar simples. Quando a infestação é gigantesca, os tais piolhos se alastram pelos espaços inter-glúteos, raízes das coxas, abdome, axilas e supercílios. O prurido é arrasador principalmente à noite e torna-se insuportável se o hospedeiro estiver com calor ou suado.

REPERCUÇÕES HISTÓRICAS
No passado era sinal de masculinidade e as mulheres adoravam ver o rapaz se coçando, pois era sinal que o cabra não era mais virgem. Depois passou a simbolizar falta de asseio e sinônimo de má educação quando a coçada na virilha era irreverente. Com os avanças das pesquisas e tratamentos medicinais, tem chato ou pediculose púbis quem não se asseia ou é seboso pela própria natureza.

TRATAMENTO
É simples, barato e fácil, principalmente se o a pessoa infestada quiser rapidamente se livrar da sintomatologia e dos chatos sinais do parasita.
• Desbastar a cabeleira da área da virilha.
• Lavar as partes podendas e inter-glúteas com água e sabão.
• Usar por via tópica solução de Benzoato de Benzila ou Acarçan encontrados nas prateleiras de qualquer drogaria e dispensados de prescrição médica.
• Evitar o uso de remédios caseiros principalmente os inseticidas domésticos.
• Lavar e escaldar a roupa pessoal e os lençóis de dormir durante o tratamento.

COMPLICAÇÕES CLINICAS E DERMATOLÓGICAS
Quando a sintomatologia não é aliviada, o piolho não é extinto e o prurido é agravado com as efetivas unhadas, poderá a pele atingida se transformar em dermatite eczematosa com repercussão acentuada em toda genitália externa. Existem casos na literatura médica de uretrite, cistite é até prostatite motivadas pelos efeitos maléficos dessa piolhada. Tais complicações são evitadas com um banho ou higienização das partes pudendas com água e sabão após qualquer experiência sexual.

ALIRIO BATISTA DE SOUZA
• Médico – CRM. 579
• Advogado – OAB. 2.325.
• Professor de Medicina Legal no Centro Universitário de João Pessoa - UNIPÊ.                   Credito
 
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