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INTERNET. UTOPIA OU REALIDADE?
 
Ao longo dos séculos XIX e XX, o conhecimento tecnológico e científico se aliou ao capital, concentrando-se geograficamente em certas partes do planeta e tornando as demais regiões fontes de matérias primas e suas sociedades mercados consumidores.O próprio processo de

concentração do conhecimento nos países capitalistas centrais acelera novas reconcentrações, aumentando o intervalo que os separa dos países periféricos. As sucessivas ondas de inovações tecnológicas elevam progressivamente o patamar, de modo que os mercados da periferia estão sempre defasados em seus modestos avanços e dependentes de peças, softwares, upgrades. Por esse processo, a sociedade do conhecimento, no contexto dos mercados, implica uma assimetria crescente entre o centro e a periferia, instaurada pelas vantagens comparativas dinâmicas criadas pela tecnologia, fortemente concentrada e protegida por diplomas legais, em âmbito nacional e internacional.
Em termos de tecnologia da comunicação, a Internet parece realizar um sistema nervoso planetário e cooperativo. A rede de computadores, projetada na década de 60 em círculos de pesquisa militares, foi aberta ao público ao longo das décadas de 80 e 90, como resultado do fim da guerra fria, exponenciando as potencialidades dos computadores pessoais tão logo eles são conectados.
A Internet com sua arquitetura em rede é o mais novo ambiente de comunicação, cujo princípio é a disponibilização das informações e cuja expressão mais radical é o compartilhamento. Não há um centro distribuidor ou difusor, cada um pode ser alternadamente o receptor ou emissor, comunicando-se com muitos pelo correio eletrônico, pelos blogs, pelas páginas pessoais ou, no limite, compartilhando seus programas e arquivos, em um setor do disco rígido liberado para download pelos interessados de qualquer parte do planeta. Nesse princípio peculiar é que reside a grande novidade e a força extraordinária da rede, ou seja, ela forma um acervo construído coletivamente por milhões de colaboradores, pessoas, organizações, governos, de todo mundo, construindo um repertório enciclopédico inexcedível, diverso e em permanente renovação e ampliação, que se disponibiliza gratuitamente ou não aos usuários.

O conhecimento historicamente tem servido ao desenvolvimento das civilizações, ao mesmo tempo em que, constitui um diferencial entre elas, dependendo de quem detém seu controle. Tecnologias têm atuado historicamente como meios de concentração de poder, induzindo à desigualdade, assimetria, ao serem absorvidas ou arrebatadas por grupos, classes ou nações. A Internet, apesar de sua arquitetura em rede, sem um ponto central, poderá integrar a dinâmica de formações sociais excludentes, assimétricas e desiguais como as do passado, embora por outros meios e praticando novas formas de hegemonia. A sociedade do conhecimento, mais do que as formações anteriores, colocariam em evidência um dos fundamentos objetivos da supremacia histórica: a distribuição desigual do conhecimento, em particular da tecnologia. Até a potencialmente "boa" tecnologia poderia se converter numa nova forma de concentração de poder e em novas formas de desigualdade.

O que os críticos da Internet destacam é que, ao invés de solapar o oligopólio da comunicação de massa global, a nova tecnologia passou a integrá-lo como meio subsidiário, mas com um papel cada vez mais importante. O chamado ciberespaço é predominantemente marcado pela comunicação comercial do chamado e-business, pelo comércio on-line, pela publicidade comercial digital, pelos portais maciços dos grandes meios convencionais, jogando água fria naqueles que viam a Internet como um campo mais igualitário, de pluralidade, de um novo tipo de jornalismo, de diversidade cultural e de idéias políticas variadas, da diferença de pontos de vista e de opiniões.
Apesar do quadro atual e como decorrência do princípio comunicacional que preside seu funcionamento – disponibilização e compartilhamento - a Internet ainda oferece a alternativa de domínios importantes para a educação, ciência e à cultura, patrocinados pelas universidades, governos, associações da sociedade civil, indivíduos, ao contrário do que ocorre com a radiodifusão, por exemplo. Não se trata, portanto, de condená-la, mas de reconhecer sua importância e fazer a sua crítica, identificando seus usos sociais, politizando a discussão, ao invés de recair na negação ou no ufanismo.

concentração do conhecimento nos países capitalistas centrais acelera novas reconcentrações, aumentando o intervalo que os separa dos países periféricos. As sucessivas ondas de inovações tecnológicas elevam progressivamente o patamar, de modo que os mercados da periferia estão sempre defasados em seus modestos avanços e dependentes de peças, softwares, upgrades. Por esse processo, a sociedade do conhecimento, no contexto dos mercados, implica uma assimetria crescente entre o centro e a periferia, instaurada pelas vantagens comparativas dinâmicas criadas pela tecnologia, fortemente concentrada e protegida por diplomas legais, em âmbito nacional e internacional.
Em termos de tecnologia da comunicação, a Internet parece realizar um sistema nervoso planetário e cooperativo. A rede de computadores, projetada na década de 60 em círculos de pesquisa militares, foi aberta ao público ao longo das décadas de 80 e 90, como resultado do fim da guerra fria, exponenciando as potencialidades dos computadores pessoais tão logo eles são conectados.
A Internet com sua arquitetura em rede é o mais novo ambiente de comunicação, cujo princípio é a disponibilização das informações e cuja expressão mais radical é o compartilhamento. Não há um centro distribuidor ou difusor, cada um pode ser alternadamente o receptor ou emissor, comunicando-se com muitos pelo correio eletrônico, pelos blogs, pelas páginas pessoais ou, no limite, compartilhando seus programas e arquivos, em um setor do disco rígido liberado para download pelos interessados de qualquer parte do planeta. Nesse princípio peculiar é que reside a grande novidade e a força extraordinária da rede, ou seja, ela forma um acervo construído coletivamente por milhões de colaboradores, pessoas, organizações, governos, de todo mundo, construindo um repertório enciclopédico inexcedível, diverso e em permanente renovação e ampliação, que se disponibiliza gratuitamente ou não aos usuários.

O conhecimento historicamente tem servido ao desenvolvimento das civilizações, ao mesmo tempo em que, constitui um diferencial entre elas, dependendo de quem detém seu controle. Tecnologias têm atuado historicamente como meios de concentração de poder, induzindo à desigualdade, assimetria, ao serem absorvidas ou arrebatadas por grupos, classes ou nações. A Internet, apesar de sua arquitetura em rede, sem um ponto central, poderá integrar a dinâmica de formações sociais excludentes, assimétricas e desiguais como as do passado, embora por outros meios e praticando novas formas de hegemonia. A sociedade do conhecimento, mais do que as formações anteriores, colocariam em evidência um dos fundamentos objetivos da supremacia histórica: a distribuição desigual do conhecimento, em particular da tecnologia. Até a potencialmente "boa" tecnologia poderia se converter numa nova forma de concentração de poder e em novas formas de desigualdade.

O que os críticos da Internet destacam é que, ao invés de solapar o oligopólio da comunicação de massa global, a nova tecnologia passou a integrá-lo como meio subsidiário, mas com um papel cada vez mais importante. O chamado ciberespaço é predominantemente marcado pela comunicação comercial do chamado e-business, pelo comércio on-line, pela publicidade comercial digital, pelos portais maciços dos grandes meios convencionais, jogando água fria naqueles que viam a Internet como um campo mais igualitário, de pluralidade, de um novo tipo de jornalismo, de diversidade cultural e de idéias políticas variadas, da diferença de pontos de vista e de opiniões.
Apesar do quadro atual e como decorrência do princípio comunicacional que preside seu funcionamento – disponibilização e compartilhamento - a Internet ainda oferece a alternativa de domínios importantes para a educação, ciência e à cultura, patrocinados pelas universidades, governos, associações da sociedade civil, indivíduos, ao contrário do que ocorre com a radiodifusão, por exemplo. Não se trata, portanto, de condená-la, mas de reconhecer sua importância e fazer a sua crítica, identificando seus usos sociais, politizando a discussão, ao invés de recair na negação ou no ufanismo.

 

Amaury Soares de Lacerda
Coremas-PB

 
MURAL DE RECADOS
 
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