concentração
do conhecimento nos países capitalistas centrais
acelera novas reconcentrações, aumentando
o intervalo que os separa dos países periféricos.
As sucessivas ondas de inovações tecnológicas
elevam progressivamente o patamar, de modo que os
mercados da periferia estão sempre defasados
em seus modestos avanços e dependentes de peças,
softwares, upgrades. Por esse processo, a sociedade
do conhecimento, no contexto dos mercados, implica
uma assimetria crescente entre o centro e a periferia,
instaurada pelas vantagens comparativas dinâmicas
criadas pela tecnologia, fortemente concentrada e
protegida por diplomas legais, em âmbito nacional
e internacional.
Em termos de tecnologia da comunicação,
a Internet parece realizar um sistema nervoso planetário
e cooperativo. A rede de computadores, projetada na
década de 60 em círculos de pesquisa
militares, foi aberta ao público ao longo das
décadas de 80 e 90, como resultado do fim da
guerra fria, exponenciando as potencialidades dos
computadores pessoais tão logo eles são
conectados.
A Internet com sua arquitetura em rede é o
mais novo ambiente de comunicação, cujo
princípio é a disponibilização
das informações e cuja expressão
mais radical é o compartilhamento. Não
há um centro distribuidor ou difusor, cada
um pode ser alternadamente o receptor ou emissor,
comunicando-se com muitos pelo correio eletrônico,
pelos blogs, pelas páginas pessoais ou, no
limite, compartilhando seus programas e arquivos,
em um setor do disco rígido liberado para download
pelos interessados de qualquer parte do planeta. Nesse
princípio peculiar é que reside a grande
novidade e a força extraordinária da
rede, ou seja, ela forma um acervo construído
coletivamente por milhões de colaboradores,
pessoas, organizações, governos, de
todo mundo, construindo um repertório enciclopédico
inexcedível, diverso e em permanente renovação
e ampliação, que se disponibiliza gratuitamente
ou não aos usuários.
O conhecimento historicamente tem
servido ao desenvolvimento das civilizações,
ao mesmo tempo em que, constitui um diferencial entre
elas, dependendo de quem detém seu controle.
Tecnologias têm atuado historicamente como meios
de concentração de poder, induzindo
à desigualdade, assimetria, ao serem absorvidas
ou arrebatadas por grupos, classes ou nações.
A Internet, apesar de sua arquitetura em rede, sem
um ponto central, poderá integrar a dinâmica
de formações sociais excludentes, assimétricas
e desiguais como as do passado, embora por outros
meios e praticando novas formas de hegemonia. A sociedade
do conhecimento, mais do que as formações
anteriores, colocariam em evidência um dos fundamentos
objetivos da supremacia histórica: a distribuição
desigual do conhecimento, em particular da tecnologia.
Até a potencialmente "boa" tecnologia
poderia se converter numa nova forma de concentração
de poder e em novas formas de desigualdade.
O que os críticos da Internet
destacam é que, ao invés de solapar
o oligopólio da comunicação de
massa global, a nova tecnologia passou a integrá-lo
como meio subsidiário, mas com um papel cada
vez mais importante. O chamado ciberespaço
é predominantemente marcado pela comunicação
comercial do chamado e-business, pelo comércio
on-line, pela publicidade comercial digital, pelos
portais maciços dos grandes meios convencionais,
jogando água fria naqueles que viam a Internet
como um campo mais igualitário, de pluralidade,
de um novo tipo de jornalismo, de diversidade cultural
e de idéias políticas variadas, da diferença
de pontos de vista e de opiniões.
Apesar do quadro atual e como decorrência do
princípio comunicacional que preside seu funcionamento
– disponibilização e compartilhamento
- a Internet ainda oferece a alternativa de domínios
importantes para a educação, ciência
e à cultura, patrocinados pelas universidades,
governos, associações da sociedade civil,
indivíduos, ao contrário do que ocorre
com a radiodifusão, por exemplo. Não
se trata, portanto, de condená-la, mas de reconhecer
sua importância e fazer a sua crítica,
identificando seus usos sociais, politizando a discussão,
ao invés de recair na negação
ou no ufanismo.
concentração do conhecimento
nos países capitalistas centrais acelera novas
reconcentrações, aumentando o intervalo
que os separa dos países periféricos.
As sucessivas ondas de inovações tecnológicas
elevam progressivamente o patamar, de modo que os
mercados da periferia estão sempre defasados
em seus modestos avanços e dependentes de peças,
softwares, upgrades. Por esse processo, a sociedade
do conhecimento, no contexto dos mercados, implica
uma assimetria crescente entre o centro e a periferia,
instaurada pelas vantagens comparativas dinâmicas
criadas pela tecnologia, fortemente concentrada e
protegida por diplomas legais, em âmbito nacional
e internacional.
Em termos de tecnologia da comunicação,
a Internet parece realizar um sistema nervoso planetário
e cooperativo. A rede de computadores, projetada na
década de 60 em círculos de pesquisa
militares, foi aberta ao público ao longo das
décadas de 80 e 90, como resultado do fim da
guerra fria, exponenciando as potencialidades dos
computadores pessoais tão logo eles são
conectados.
A Internet com sua arquitetura em rede é o
mais novo ambiente de comunicação, cujo
princípio é a disponibilização
das informações e cuja expressão
mais radical é o compartilhamento. Não
há um centro distribuidor ou difusor, cada
um pode ser alternadamente o receptor ou emissor,
comunicando-se com muitos pelo correio eletrônico,
pelos blogs, pelas páginas pessoais ou, no
limite, compartilhando seus programas e arquivos,
em um setor do disco rígido liberado para download
pelos interessados de qualquer parte do planeta. Nesse
princípio peculiar é que reside a grande
novidade e a força extraordinária da
rede, ou seja, ela forma um acervo construído
coletivamente por milhões de colaboradores,
pessoas, organizações, governos, de
todo mundo, construindo um repertório enciclopédico
inexcedível, diverso e em permanente renovação
e ampliação, que se disponibiliza gratuitamente
ou não aos usuários.
O conhecimento historicamente tem
servido ao desenvolvimento das civilizações,
ao mesmo tempo em que, constitui um diferencial entre
elas, dependendo de quem detém seu controle.
Tecnologias têm atuado historicamente como meios
de concentração de poder, induzindo
à desigualdade, assimetria, ao serem absorvidas
ou arrebatadas por grupos, classes ou nações.
A Internet, apesar de sua arquitetura em rede, sem
um ponto central, poderá integrar a dinâmica
de formações sociais excludentes, assimétricas
e desiguais como as do passado, embora por outros
meios e praticando novas formas de hegemonia. A sociedade
do conhecimento, mais do que as formações
anteriores, colocariam em evidência um dos fundamentos
objetivos da supremacia histórica: a distribuição
desigual do conhecimento, em particular da tecnologia.
Até a potencialmente "boa" tecnologia
poderia se converter numa nova forma de concentração
de poder e em novas formas de desigualdade.
O que os críticos da Internet
destacam é que, ao invés de solapar
o oligopólio da comunicação de
massa global, a nova tecnologia passou a integrá-lo
como meio subsidiário, mas com um papel cada
vez mais importante. O chamado ciberespaço
é predominantemente marcado pela comunicação
comercial do chamado e-business, pelo comércio
on-line, pela publicidade comercial digital, pelos
portais maciços dos grandes meios convencionais,
jogando água fria naqueles que viam a Internet
como um campo mais igualitário, de pluralidade,
de um novo tipo de jornalismo, de diversidade cultural
e de idéias políticas variadas, da diferença
de pontos de vista e de opiniões.
Apesar do quadro atual e como decorrência do
princípio comunicacional que preside seu funcionamento
– disponibilização e compartilhamento
- a Internet ainda oferece a alternativa de domínios
importantes para a educação, ciência
e à cultura, patrocinados pelas universidades,
governos, associações da sociedade civil,
indivíduos, ao contrário do que ocorre
com a radiodifusão, por exemplo. Não
se trata, portanto, de condená-la, mas de reconhecer
sua importância e fazer a sua crítica,
identificando seus usos sociais, politizando a discussão,
ao invés de recair na negação
ou no ufanismo. |