O INQUESTIONÁVEL
PODER DAS MULHERES
A mulher brasileira
foi á luta e buscou com os seus
próprios méritos o lugar
que ocupa na desproporcional pirâmide
brasileira.
Luzia, a primeira brasileira de quem se
tem conhecimento nas pesquisas arqueológicas.
Viveu há cerca de 11.500 anos,
onde hoje é o aeroporto internacional
de confins perto de Belo Horizonte.
Maria Iolanda Silva, filha do Vale do
Piancó, formada em historia, tabeliã,
política, mãe e personalidade
em evidência.
A distância que separa as duas personagens
é de 115 séculos. A semelhança
entre elas é que são mulheres.
O comum: é que no decorrer de 115
séculos, a mulher lutou, demonstrou
superioridade diante dos homens na arte
de organizar; administrar e inovar. Ainda
assim, a teimosia masculina reluta em
não aceitar o óbvio, e a
mulher continua a ser elevada a segundo
plano, por que não dizer discriminada?
Desde o inicio das civilizações
o homem é o centro do poder, o
criador das regras, o mantenedor da ordem
e ditador dos padrões. A mulher,
a adorno necessário, o símbolo
passivo, a cumpridora dos caprichos masculinos
e a organizadora do lar.
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3.000 a.C (antes
de Cristo), Hatsetsup teve que disfarçar-se
de homem para assumir o trono do Egito
e fazer a mais famosa administração
da época sem o emprego das guerras.
O segundo exemplo é Nefretite esposa
de Ramsés, que deu as mulheres
escravas o direito de repouso até
que as crias fossem desmamadas. Com apenas
17 anos de idade, em 1429 Joana D’arc
venceu sua primeira batalha em meio a
guerra dos cem anos, libertou a cidade
de Orléans do julgo britânico.
Meses mais tarde, estava sentada ao lado
do rei Carlos VII conveniência da
Honra masculina entregou-a aos inimigos
ingleses em 1430. Foi julgada e condenada
á fogueira por heresia.
A igreja mantinha um controle férreo
sobre as mulheres. Os homens eram livres
para possuírem quantas mulheres
lhes apetitassem. Para as mulheres, sexo
só no casamento e nunca quando
estivessem grávidas ou menstruadas.
A voz feminina era proibida nos cultos
religiosos, era preferível ter
homens castrados com vozes de soprano
que mulheres cantando.
O milênio foi essencialmente masculino.
Até o século XX, havia esposas
e filhas figurantes forçadas ao
silêncio num roteiro protagonizado
por homens. Só então enquanto
modificavam trajes e atitudes elas começaram
a conquistar direitos que conferiam dignidade
à condição feminina.
Nos fins de 1899 a estilista francesa
Coco Chanel salvou a mulher da opressão
do espartilho. O tailleur, seu grande
invento, é a peça mais copiada
da história da moda. A luta pioneira
pelo direito do voto levou a socialista
inglesa Sylvia Pankurt á cadeia.
As urnas na Inglaterra foram abertas á
participação da mulher em
1918. Em 1933, o mundo descobre o timbre
rouco de Billie Holiday, a diva negra
do blues. O SEGUNDO SEXO, livro da feminista
francesa Simone de Bovir, bagunçou
os alicerces da sociedade machista. No
Brasil a platéia só de homens
apoiou unânime o gesto de uma garota
quando ela decidiu tirar o sutiã,
antes de queimá-lo em praça
pública.
A revolução feminista dos
anos 60 não podia ser rejeitada.
O barrigão á mostra, Leila
Diniz, em agosto de 1971, na praia de
Ipanema, alforriou as grávidas
que tinham receio de mostrar o corpo durante
a gestação.
Em séculos de conquistas e inovações
de exemplos da competência feminina,
de celebridades que mudaram a história
da humanidade como: Golda Meir, Indira
Gandhi, Rainha vitória, Catarina,
a Grande da Rússia, Evita Perón,
princesa Isabel e tantas outras. O Brasil
ainda não teve sua primeira mulher
presidente.Vivas e claras demonstrações
de competência política são
demonstradas por Benedita da Silva, Rita
Camata. Marta Suplicy, Roseana Sarney,
Francisca Motta e outras. Outras como
Maria Iolanda Silva que, incentivada por
amigos e familiares, fascinada pelo convívio
com políticos, ergue-se na arena
da disputa política com dignidade,
sem uso de nome e imagem de outro para
se autopromover.
Quem é Maria Iolanda Silva? GLAMOUR
MAGAZINE foi descobrir porque em pesquisas
realizadas na cidade de Coremas, foi a
mais votada personalidade em evidência.
GM- Qual a Origem
de Iolanda Silva?
IS- Simples Nasci no sítio Parati
no município de Coremas. Sou de
origem humilde, de pais agricultores,
mas muito dignos e queridos. Iniciei meus
estudos em casa e aos doze anos vim estudar
aqui em Coremas, no colégio Dom
Mata. A distância entre o sítio
e a cidade era 20 km, muitas vezes fiz
este percurso a cavalo, era cansativo
mais não me tirava o estímulo.
Primeiro por gratidão aos meus
pais e segundo porque queria me instruir.
GM- Seus estudos estão concluídos?
IS- Não. Ainda estudo, casei aos
19 anos com o Bel. Delano Lucas do qual
tenho 3 maravilhosos filhos. Eu trabalhava
no cartório Severino Lucas, hoje
de minha propriedade. Cuidava da casa
e estudava à noite. Era realmente
mirabolante conciliar estas três
tarefas e dar conta delas. Tempos depois
fomos morar em Patos. Lá, eu não
trabalhava, cuidava da família
e fazia faculdade à noite.
GM- Qual a cadeira?
IS- Conclui história este ano,
no mês de junho, na Faculdade Francisco
Mascarenhas e pretendo fazer direito.
Como proprietária de cartório
a lei exige que toda tabeliã seja
formada em direito. fiz primeiro história
porque sempre tive fascinação
pelo passado cultural e pela evolução
da humanidade, além de ser uma
cadeira paga em direito.
GM- Você passou a maior parte do
seu tempo entre família e estudos,
onde você adquiriu fascínio
pelos problemas da humanidade?
IS- Quando perdi a minha mãe, aos
treze anos, fui morar em João Pessoa
com meus tios. De volta a Coremas trabalhei
no Bradesco e fui transferida para a agência
de Mossoró no Rio Grande de Norte.
Estes contatos com as pessoas fizeram-me
conhecer os conflitos, ignorâncias
e as injustiças que os mais humildes
passam. Na maioria das vezes, por falta
de conhecimento.
GM- É esta, a razão de hoje
você está envolvida na Política?
IS- Em parte. Sempre convivi com a ciência
política, meu ex-marido era assessor
político, apaixonado por esta área,
chegando mesmo a sair candidato a vereador
e não sendo eleito. Quando comecei
a estudar história acompanhei e
apaixonei-me pela coragem e feitios de
personagens como Getúlio Vargas,
Jucelino Kubitscheck, Eva Perón
e principalmente pela coragem de Lady
Diana. Observei a superioridade da mulher
nas soluções políticas,
a transparência nas atitudes e o
temor a Deus. O homem, geralmente, soluciona
os problemas com conflitos e uso da força.
A mulher, com inteligência e feminilidade.
Se Luiz XVI tivesse ouvido Maria Antonieta,
a revolução francesa teria
tomado outros rumos e a história
da humanidade seria outra. Eu sempre fui
uma pessoa muito carismática tanto
para os meus filhos como para os meus
amigos, sempre procurei amenizar o sofrimento
do meu próximo. Tenho uma certeza
plena que Deus me determinou para uma
missão. Não estou querendo
dizer com isso que minha missão
é ser vice-prefeita, afirmo é
que tenho uma missão designada
por Deus. Em cidades de pequeno porte,
uma mulher separada é sempre observada,
analisada e, as vezes, até desrespeitada.
Eu sai da minha separação
com muita dignidade, faço questão
de ser um exemplo de orgulho para meus
filhos e amigos. Em brincadeiras no cartório,
as pessoas me perguntavam porque eu não
me candidatava e eu respondia vou me candidatar
a vereadora. Esta brincadeira foi tomando
corpo e rumores, passei a receber apoio
e cobranças para que oficializasse
uma candidatura.
Filiei-me ao partido, com total apoio
de amigos e meus familiares para a candidatura
de vereadora, o partido cogitava um vice
para a chapa do executivo. A escolha deste
vice e a coligação de partidos
não estava sendo fácil,
principalmente porque o candidato a executivo
não estava entre os mais poderosos
financeiramente. A política em
Coremas é cara, e geralmente quem
entra na política, entra por investimento
e não por ideologia. Esta situação
fez-se impossível uma coligação.
Numa pesquisa do partido fui a escolhida.
GM- E se você perder esta campanha?
IS- Perco com Dignidade e não considero
uma perda. Luto para melhora do meu povo
com sinceridade e dignidade cabe a ele
escolher o que é melhor para ele.
Já disse que tenho uma missão
de Deus e ele sabe se agora é o
momento.
GM- O que você diria a Deus?
IS- Obrigada pela vida, pelos filhos que
me deste e pelos momentos difíceis
que atravessei na vida, pois foi exatamente
neles que o Senhor me carregou nos braços.
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Maria Iolanda Silva
Fonte: Glamour MAGAZINE - Publicao
no ano 2000 |